Os operadores logísticos protagonizam uma postura empresarial orientada para o crescimento e para a expansão, de acordo com as conclusões do relatório Logistics Confidence Index 2026, desenvolvido pela CBRE e pela Logicor, em parceria com a Analytiqa.

E isto porque 60% prevê um aumento no volume de negócios, 56% planeia aumentar o número de colaboradores, 70% espera realizar investimentos de capital significativos no prazo de 12 meses e 80% planeia expandir a sua área operacional.

Trata-se de um posicionamento em contraciclo com uma outra conclusão do estudo, já divulgada:  é que o índice de confiança geral no setor da logística e da supply chain desceu 25% em 2026, tendo registado o ponto mais baixo dos últimos quatro anos. No caso dos operadores logísticos, esse índice situa-se nos 48,4%.

O que o estudo dá conta é que, apesar de a confiança se manter cautelosa, as empresas sentem necessidade de continuar a modernizar as respetivas cadeias de abastecimento face a uma escassez geral de oferta que está a gerar oportunidades de negócio.

Verifica-se, nomeadamente, uma procura continua por espaços, concentrada nas regiões de Lisboa e Porto, que, em conjunto, representam 82% dos planos de investimento para expansão e instalação de novas operações logísticas no próximo ano.

Para captar este crescimento, os inquiridos apontam o desenvolvimento de infraestruturas adequadas (26%), o investimento contínuo em tecnologia de armazenamento (23%) e o crescimento sustentado do comércio eletrónico (22%) como os impulsionadores que moldarão a direção do mercado nacional.

A propósito, Nuno Torcato, head of Industrial & Logistics na CBRE Portugal, afirma que o setor logístico português atravessa um período de transição e maturação. E, acrescenta que, embora os níveis de confiança possam flutuar consoante o contexto económico, os fundamentos do mercado logístico português mantêm-se sólidos.

De acordo com o relatório, esta resiliência estende-se ao mercado imobiliário logístico português, que contraria a tendência europeia. Assim, enquanto as taxas de desocupação na Europa subiram para perto dos 5,8%, os valores no mercado português situam-se em níveis extremamente baixos: menos de 1% no Porto e abaixo dos 2% em Lisboa. Simultaneamente, o parque logístico cresceu ao longo dos últimos dez anos, passando de 4,1 milhões para quase 6 milhões de metros quadrados.