O índice de confiança geral no setor da logística e supply chain em Portugal sofreu uma queda de 25% em 2026. Esta é uma das principais conclusões do Logistics Confidence Index, elaborado pela CBRE e a Logicor.

O relatório – composto a partir de um inquérito feito a 35 profissionais da indústria – mostra que em 2026 se registou o ponto mais baixo de confiança em quatro anos, tanto para operadores logísticos (48,4%) como para retalhistas e fabricantes (29,4%).

Este resultado demonstra uma visão pessimista sobre o mercado. 88% dos inquiridos considera que as condições de negócio foram mais difíceis nos últimos 12 meses. Já 42% antecipa que as condições se tornarão significativamente mais difíceis durante os próximos 12 meses.

 

Previsão de crescimento

Ainda que paire um pessimismo generalizado, as empresas continuam a prever crescimento operacional e expansão física. A nível da faturação, 48% das organizações esperam aumentar as suas receitas, colocando em destaque os operadores logísticos que antecipam um crescimento (60%), contra 36% do retalho e indústria.

No que respeita ao espaço de armazenamento, 52% dos inquiridos planeiam aumentar a sua área, e 46% esperam mantê-la. Apenas 2% estimam uma redução. Os operadores logísticos pretendem expandir a sua pegada imobiliária, em que 16% prevê crescimentos superiores a 21%.

A curto prazo, especificamente para os próximos três anos, o estudo aponta duas estratégias distintas. Os operadores logísticos estarão focados no crescimento do negócio, em automação e em diversificar a cadeia de abastecimento. Já o setor do retalho e indústria estará mais focado em eficiência, nomeadamente no corte de custos, na resiliência operacional e na gestão do crescimento.

 

Motores de crescimento para o futuro

Para o futuro, há uma preocupação consensual a nível imobiliário, que consiste na obsolescência dos armazéns e instalações.

Ainda assim, os principais motores de crescimento para este ano prendem-se com o desenvolvimento de infraestruturas (26%); investimento em tecnologia para armazéns (23%); crescimento do e-commerce (22%); e custo e disponibilidade de mão de obra (15%).

A sustentabilidade e ESG fica em segundo plano. Para 64% dos operadores logísticos, a alocação de CAPEX (despesas de capital) para projetos de ESG fica maioritariamente entre 1% e 5%. Os retalhistas, por sua vez, demonstram um maior compromisso financeiro com metas ESG, uma vez que 28% alocam entre 6-10% do CAPEX, e 16% alocam entre 11% e 15%.

 

Resposta às disrupções

Por fim, no que diz respeito às perturbações globais nas cadeias de abastecimento, as empresas estão a priorizar planos de contingência e gesto de risco (27%), reforço de relações com fornecedores (22%), exploração de rotas e modos de transporte alternativos (18%), e apenas 6% apostam na diversificação geográfica de fornecedores.