Ser o novo head of procurement de uma empresa é equivalente a ter de reparar um avião em pleno voo, dois movimentos aparentemente inconciliáveis, mas inevitáveis. A imagem acompanhou a mesa-redonda que encerrou a Procurement Conferência 2026, intitulada “Os primeiros 90 dias – o que ninguém ensina sobre liderar procurement numa nova organização”.
Foi um dos oradores – Ivo Diz, head of procurement da ANA Aeroportos – quem verbalizou a metáfora, mas a mensagem foi adotada pelos demais participantes na conversa, a saber, Cláudia Monteiro, da Fidelidade, e Bianca Lourenço, da Amadeus. A moderação esteve a caro de Alexandra Azevedo, procurement transfomation leader, que, atendendo a que todos são relativamente recentes nas respetivas empresas, começou por lhes perguntar quando é que se deixa de ser o novo head of procurement.
Para Bianca Lourenço, não é o tempo que dita a resposta: “É quando passamos a ter consciência de que se é parte da organização e, principalmente, quando as pessoas nos veem dessa forma, quando a equipa sente que pode contar connosco, quando os stakeholders nos começam a envolver nos projetos principais.”
Cláudia Monteiro concorda que não há um prazo e partilhou que, no seu caso, foi um processo rápido: “Vai acontecendo paulatinamente. Começamos a notar quando ouvimos alguém reproduzir algo que dissemos numa reunião.”
Já Ivo Diz, embora entenda que depende das organizações, deixou a nota que continua a beneficiar do estado de graça de chegar a uma nova organização: “Dá jeito ser o novo quando queremos sugerir mudanças, criar uma dinâmica de transformação.”
(em atualização)


