A Deutsche Bahn iniciou o processo de venda da DB Cargo UK, procurando um novo proprietário com capacidade financeira para apoiar o crescimento da empresa. A operação acompanha a decisão da DB Cargo de concentrar a sua atividade nos mercados da Europa Central.
A administração da DB Cargo UK nomeou assessores jurídicos e financeiros para procurar um novo proprietário para a operação britânica de transporte ferroviário de mercadorias. A empresa procura um investidor com os recursos, a capacidade de investimento e o foco estratégico necessários para desenvolver o negócio.
Numa comunicação enviada aos trabalhadores a 17 de agosto, Andrea Rossi, CEO da DB Cargo UK, explicou que o objetivo é encontrar um acionista que proporcione “acesso a capital adicional, oportunidades de mercado mais amplas e a escala necessária para apoiar a próxima fase” de desenvolvimento da empresa.
A Interpath terá sido contratada para assessorar o processo, estando já em curso contactos com potenciais interessados, segundo avançaram a Sky News e a imprensa ferroviária britânica. A DB Cargo UK assegura que a operação continuará a funcionar normalmente durante o processo de venda.
Foco na Europa Central
A decisão surge depois de a DB Cargo, subsidiária de transporte ferroviário de mercadorias da Deutsche Bahn, ter definido como prioridade estratégica a concentração nas suas principais operações na Europa Central.
O negócio alemão encontra-se em reestruturação, na sequência da decisão da Comissão Europeia que, em novembro de 2024, aprovou um apoio estatal de 1,9 mil milhões de euros à DB Cargo. A autorização ficou condicionada à execução de um plano destinado a recuperar a viabilidade da empresa e evitar distorções da concorrência.
A alienação da operação britânica prolonga o ajustamento do perímetro internacional da DB Cargo. Em 2025, o grupo vendeu à Boluda Shipping uma parte das atividades da Transfesa em Espanha, incluindo transporte ferroviário doméstico, serviços intermodais, terminais, manobras e manutenção. A DB manteve, contudo, as operações ligadas ao setor automóvel e ao transporte internacional, entretanto integradas na DB Cargo Iberia.
Ao nível do grupo, a Deutsche Bahn concluiu também, em abril de 2025, a venda da DB Schenker à DSV, numa transação avaliada em 14,3 mil milhões de euros, depois de ter alienado a operadora de transporte de passageiros Arriva.
Segundo maior operador britânico
A DB Cargo UK emprega cerca de 2.200 pessoas e dispõe de uma frota de 228 locomotivas diesel e elétricas. A empresa transporta mercadorias em segmentos como os produtos siderúrgicos, materiais de construção e agregados, tráfego intermodal e apoio à infraestrutura ferroviária, assegurando igualmente ligações com a Europa continental através do Túnel da Mancha.
Segundo dados do regulador ferroviário britânico, o Office of Rail and Road, a empresa foi responsável por 22,3% dos 30,3 milhões de comboios-quilómetro realizados pelos sete operadores de mercadorias do país em 2025/2026. Este desempenho coloca-a na segunda posição do mercado, atrás da GB Railfreight, com 31,4%.
As contas relativas a 2024 mostram uma melhoria financeira, embora a empresa tenha permanecido deficitária. A faturação aumentou de 268,7 para 274,4 milhões de libras, enquanto o prejuízo recuou de 67,5 para 12,3 milhões de libras.
Andrea Rossi considera que o programa de transformação desenvolvido nos últimos anos permitiu melhorar o desempenho operacional e a eficiência financeira. Esses progressos terão sido, no entanto, contrariados pelo aumento dos custos, pela pressão sobre alguns dos principais mercados e pela redução dos volumes e das receitas.
O relatório intercalar da Deutsche Bahn relativo ao primeiro semestre de 2026 confirma essa pressão: as receitas da DB Cargo no Reino Unido diminuíram 25 milhões de euros em comparação com o período homólogo.
Apesar das dificuldades, a administração destaca a quota de mercado, a diversidade da carteira de clientes, os ativos e o património imobiliário da DB Cargo UK. Para Andrea Rossi, a venda constitui “a melhor via para assegurar o crescimento, a competitividade e a sustentabilidade da empresa no longo prazo”.
FOTO: Deutsche Bahn AG / Volker Emersleben


