O Grupo Mosqueteiros confirmou ocorrências nos sistemas de refrigeração de sete lojas portuguesas, num ataque que terá visado um prestador externo. A empresa garante que o abastecimento não foi afetado e que estão asseguradas as condições de segurança alimentar.
Sete lojas Intermarché em Portugal registaram ocorrências relacionadas com um ataque informático aos sistemas de refrigeração. A confirmação foi dada pelo Grupo Mosqueteiros, num comunicado enviado à RTP, no dia em que vários retalhistas europeus reportaram problemas semelhantes.
Segundo o grupo, o ataque terá visado um prestador externo responsável pela gestão dos sistemas de frio. A empresa acionou procedimentos com os parceiros de manutenção para reduzir o impacto e recuperar o funcionamento dos equipamentos. Garante que a cadeia de abastecimento não foi afetada e que estão asseguradas as condições de higiene e segurança alimentar.
Não foram divulgadas as localizações das sete lojas nem a identidade do prestador envolvido e o grupo assegura também que os produtos alimentares não foram afetados.
Novas ocorrências em vários países europeus
Os incidentes registados na madrugada de 2 de novembro atingiram também supermercados na Bélgica, Luxemburgo, Suécia, Irlanda e Estónia, com consequências distintas entre operadores.
Segundo a Associated Press, uma loja ICA na Suécia reportou alterações das temperaturas para 50 °C e a destruição dos produtos afetados. Na Irlanda, 13 lojas SuperValu retiraram alimentos refrigerados e congelados da venda por precaução. A Delhaize indicou limitações temporárias na oferta de frescos e congelados em lojas afetadas, mas assegurou o funcionamento normal dos centros de distribuição e das entregas.
Até ao momento, não está estabelecida uma ligação entre todos os incidentes, nem foram identificados publicamente os responsáveis. A Reuters refere que os ataques não foram reivindicados.
A nova vaga surge cerca de três semanas depois do ciberataque à cadeia de frio que obrigou centenas de supermercados franceses a destruir alimentos, noticiado pela Supply Chain Magazine em 13 de outubro.
Na altura, a manipulação dos sistemas de refrigeração comprometeu produtos frescos e congelados e obrigou a organizar novas entregas para repor os stocks. A peça já assinalava referências a possíveis impactos em Portugal, mas sem confirmação de autoridades ou operadores nacionais que identificasse empresas ou instalações afetadas. Desta vez, existe uma confirmação do Grupo Mosqueteiros relativa a sete lojas portuguesas.
Após o episódio francês, o Centro Nacional de Cibersegurança tinha comunicado medidas preventivas junto de empresas do retalho e de prestadores de serviços de frio e refrigeração comercial em Portugal, no intuito de corrigir vulnerabilidades e evitar impactos de ataques semelhantes.
O risco também passa pelos prestadores externos
A referência a um prestador externo no caso português coloca em evidência uma dependência que importa acompanhar: a gestão de equipamentos essenciais à operação pode envolver acessos e sistemas de várias empresas.
Para quem trabalha com produtos de temperatura controlada, avaliar essa dependência implica conhecer quem pode intervir nos equipamentos, como são autorizados os acessos e que resposta está prevista perante uma alteração indevida do seu funcionamento. A continuidade da operação depende também da rapidez com que a loja, o prestador de manutenção e o fornecedor da tecnologia conseguem atuar em conjunto.
No caso português, o Grupo Mosqueteiros garante que o abastecimento e a segurança alimentar ficaram salvaguardados. As perdas registadas noutros países mostram, porém, como uma intrusão informática pode chegar aos stocks e obrigar a retirar produtos da venda.
IMAGEM: Ilustração conceptual gerada com IA.


