O custo é o maior obstáculo para os operadores de transporte rodoviário de mercadorias irem mais longe na descarbonização. Esta é uma das principais conclusões da edição de 2026 do estudo Green Compact, da IRU – International Road Transport Union.

Comparando ao inquérito do ano passado, em que estava em segundo lugar, atrás das infraestruturas, o custo sobe agora ao topo dos obstáculos. E uma das razões prende-se com o facto de cerca de sete em cada dez operadores ouvidos – 70% na Europa ocidental, 71% na de Leste e 67% na Austrália – apontarem que os clientes não estão dispostos a pagar o preço da descarbonização.

Uma situação que leva o secretário-geral da IRU, Habib Turki, a afirmar que “a próxima fase da descarbonização exige um investimento muito maior”: “Os operadores não podem suportar esse custo sozinhos, especialmente quando os seus clientes não estão dispostos ou são incapazes de pagar mais por um transporte mais ecológico.”

De acordo com o estudo, também as soluções constituem um entrave, sendo vistas como demasiado caras por 64% dos operadores da Europa ocidental, 62% na Europa de leste e 40% na Austrália.

A mudança é mais evidente nos combustíveis alternativos. No ano passado, a falta de infraestruturas de carregamento e de reabastecimento era o principal obstáculo. Em 2026, os preços dos veículos tornaram-se a maior barreira em ambas as regiões europeias. Na Europa ocidental, 66% os operadores apontam o preço dos veículos, face aos 49% em 2025. Na Europa de leste, o valor subiu de 52% para 78%. Afinal, um camião elétrico custa duas a três vezes mais do que o seu equivalente a gasóleo, muito mais do que as margens dos operadores conseguem absorver.

O inquérito mostra, ainda assim, que cerca de nove em cada dez operadores da Europa ocidental (90%) adota pelo menos uma medida para reduzir as emissões, o mesmo acontecendo com 87% na Europa de leste e 55% na Austrália. Começam com medidas que se pagam a si próprias: a otimização de rotas (53% na Europa ocidental, 62% na de leste) e a formação em condução ecológica (42% em ambas).

E o que impulsionaria a redução de emissões em larga escala? Para 37% dos operadores na Europa ocidental, um prémio no preço por parte do cliente impulsionaria seria um fator importante, à frente dos incentivos fiscais (32%) e dos subsídios (31%). Apenas 22% apontam a legislação como uma força motriz. Já na Austrália, os subsídios lideram (26%), enquanto os operadores da Europa de leste valorizam contratos mais longos com os clientes (23%), a par dos prémios de preço (28%).

É neste cenário que o secretário-geral da organização sustenta que a regulamentação pode definir a direção, mas não consegue concretizar a transição por si só: “Precisamos de soluções que funcionem no mundo real, tais como veículos acessíveis, energia e infraestruturas disponíveis, e incentivos financeiros que reflitam as realidades da gestão de uma empresa de transportes.”

Em relação aos combustíveis, cerca de 41% dos operadores da Europa ocidental já utilizam alternativas aos convencionais, face a 14% na Europa de leste e 7% na Austrália. O gasóleo renovável (HVO), que funciona com os motores existentes, lidera em todas as regiões. Na Europa ocidental, projeta-se que a sua utilização aumente dos atuais 29% para 54% no prazo de cinco anos.

Quanto aos investimentos em veículos elétricos a bateria, estão planeados por 29% dos operadores da Europa ocidental, 17% na Europa de leste e 10% na Austrália.

O Green Compact 2026 envolveu mais de 1.000 operadores de transportes de 36 países.