Quinze milhões de euros para estender a área de armazenamento para mais de 11.000 m2 e dotar a plataforma de uma capacidade logística até às 13.500 paletes. É assim o mais recente investimento da Cooprofar em Alcochete, inaugurado esta sexta-feira, numa cerimónia em que marcaram presença os constrangimentos que se colocam à distribuição farmacêutica, do aumento dos custos operacionais à legislação que regula as margens no circuito do medicamento.
Foi o presidente do conselho de administração da cooperativa fundada há 51 anos, Hélder Mesquita, o porta-voz do orgulho pelo investimento agora concretizado e da visão de futuro que lhe está subjacente, mas também o porta-voz da realidade que o setor enfrenta e da defesa de uma revisão legislativa.
E começou precisamente pelo significado da nova plataforma logística de Alcochete, afirmando que representa a confiança que a Cooprofar tem no futuro, na sua organização e nas suas equipas, mas também nas farmácias e nos clientes da indústria farmacêutica. E, sobretudo – sublinhou – “na importância de uma distribuição farmacêutica forte, moderna e preparada para responder às necessidades do país”.
“Hoje, não inauguramos apenas mais espaço. Inauguramos mais capacidade, mais tecnologia, mais eficiência e, acima de tudo, mais futuro. Estamos a falar de um investimento de 15 milhões de euros que acrescenta 6.500 m à nossa plataforma logística. Reforçando a nossa capacidade de armazenamento, a eficiência operacional e a preparação de encomendas. Uma infraestrutura que está preparada no futuro para chegar até 13.500 paletes”, enquadrou.
A sustentar o investimento está – prosseguiu – uma visão de longo prazo, “uma organização que acredita na modernização, na inovação e na capacidade de continuar a crescer sem perder aquilo que sempre esteve na sua origem”, isto é, a proximidade às farmácias e o compromisso com o serviço que presta.
“Foi junto das farmácias que aprendemos aquilo que nos distingue: conhecer bem quem servimos, responder depressa e adaptar o serviço a cada realidade. Hoje, colocamos essas mesmas competências ao serviço da indústria farmacêutica. Desenhamos soluções à medida de cada laboratório, com equipas dedicadas que conhecem os produtos e os objetivos de mercado de cada um. Asseguramos toda a cadeia, da receção à entrega, em unidades licenciadas pelo Infarmed, com rastreabilidade em tempo real e com uma capacidade de frio como nunca antes tivemos. E disponibilizamos a informação que vos permite decidir melhor em cada momento”, desenvolveu.
É uma oferta suportada por uma trajetória de crescimento: em 2025, o grupo alcançou um volume de negócios de 544 milhões de euros, crescendo 13% face ao período homólogo. E, como diria Hélder Mesquita, à SCM, à margem do evento, este ano assim continuará.
São resultados que aportam orgulho, ao mesmo tempo que aportam a responsabilidade de continuar a investir, garantindo que a Cooprofar está preparada para responder aos desafios que se colocam à distribuição farmacêutica.
Inauguração em tempo de constrangimentos
E, entre os desafios, situou a “forte pressão sobre os custos operacionais”, a instabilidade económica e a necessidade permanente de assegurar a eficiência de um setor muito particular. Porque – comentou –, pela natureza do produto, a distribuição farmacêutica não é uma atividade logística qualquer. “Uma das pressões mais significativas que hoje enfrentamos resulta do aumento e da volatilidade dos custos dos combustíveis. Para uma atividade que depende diariamente de centenas de deslocações, de rotas de distribuição e de entregas regulares às farmácias, o combustível não é um custo marginal, é um elemento essencial à nossa operação”, sublinhou.
Mais tarde, à SCM, contextualizaria com dados: o setor percorre, por ano, 54 milhões de quilómetros, o equivalente a 140 mil por dia. “É fácil fazer as contas do verdadeiro impacto”, apontou. A Adifa – Associação de Distribuidores Farmacêuticos já as fez: a manter-se o cenário atual, o custo com combustíveis ultrapassará o de há um ano em quatro milhões de euros.
Foi neste contexto que, na sua intervenção, reservou espaço para o enquadramento de preços e margens que regula o setor, um enquadramento que “limita significativamente a capacidade de repercutir estes custos nos clientes”: “Isto significa que, quando os combustíveis aumentam, quando os custos operacionais sobem, quando são necessários investimentos tecnológicos, o esforço real, em grande medida, recai sobre as próprias empresas de distribuição”, destacou.
Em consequência, defendeu um enquadramento económico e regulatório que reconheça a especificidade deste negócio e desta atividade e que permita assegurar a sustentabilidade a longo prazo. O que preconiza – como especificou, em declarações à SCM – é uma revisão dos escalões, atendendo a que o mix de produto vendido se alterou muito desde que os limites em vigor foram definidos, há cerca de dez anos.
Inserindo o investimento agora inaugurado neste contexto, o presidente da Cooprofar afirmou que se trata de “uma demonstração da capacidade de resiliência, a prova de uma organização sólida, com uma visão clara e um compromisso forte com os seus cooperadores e parceiros, e que consegue continuar a construir futuro, mesmo quando o presente é particularmente exigente”.
É um investimento que vem responder a uma necessidade prática: é que o crescimento da cooperativa estava já a provoca constrangimentos na operação, com a capacidade de armazenamento a chegar ao limite. E vem responder ainda a um cenário de maior aposta no negócio pré-grossista, por um lado, e no serviço completo às farmácias, por outro.
A plataforma de Alcochete expande-se, assim, para mais de 11.000 m2, fazendo crescer o armazém inaugurado em 2008. Junta-se aos de Gondomar, Aveiro e Macedo de Cavaleiros.
Na inauguração, intervieram igualmente a presidente da Mesa da Assembleia Geral, Anabela Silva; o presidente do Infarmed, Rui Santos Ivo, e o presidente da câmara municipal, Fernando Pina Pinto.


