A SDR Portugal reconhece que as devoluções de embalagens do canal HoReCa estão a pressionar os pontos automáticos de hiper e supermercados. Numa altura em que o sistema volta atinge, segundo a entidade gestora, 500 milhões de embalagens devolvidas, a resposta passa por uma rede logística dedicada, quiosques para grandes volumes e maior articulação com os municípios.
Recolher embalagens é apenas uma parte do desafio. É preciso garantir que a rede tem capacidade para as receber, que os pontos de devolução estão acessíveis e que restaurantes, hotéis e cafés encontram soluções adequadas aos volumes que movimentam. Seis meses após o arranque do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), estes são alguns dos constrangimentos identificados pela SDR Portugal, que entregou ao Governo um plano de cooperação para reforçar a recolha e mitigar os impactos na limpeza urbana.
Remetido à ministra do Ambiente e Energia a 16 de outubro, na sequência de um pedido efetuado em setembro, o documento reúne 14 medidas distribuídas por quatro eixos estratégicos, complementados por um eixo transversal de governação e monitorização. A proposta procura aprofundar a articulação com municípios, juntas de freguesia e Sistemas de Gestão de Resíduos Urbanos.
Para o retalho e para a logística, um dos pontos mais relevantes é o reconhecimento da pressão que as devoluções do canal HoReCa exercem sobre os pontos automáticos instalados em hiper e supermercados. A entidade gestora considera necessário desenvolver soluções mais adequadas a este setor, melhorando também o acesso da população à rede existente.
Entre as respostas previstas está a aceleração da instalação de quiosques Volta, financiados integralmente pela SDR Portugal e destinados a receber grandes quantidades de embalagens. A entidade considera esta infraestrutura particularmente importante para responder às necessidades do HoReCa e refere que está também a desenvolver uma rede logística dedicada ao canal.
A informação divulgada não detalha, porém, a cobertura dessa rede, o seu modelo de funcionamento ou o calendário de instalação de novos quiosques. São elementos relevantes para perceber como será organizada a recolha e em que medida estas soluções poderão aliviar a pressão sobre os equipamentos do retalho.
A cobertura territorial é outro dos desafios identificados. A SDR Portugal defende o alargamento das soluções a zonas do país ainda menos servidas e a espaços de elevada circulação, incluindo terminais de transportes aéreos e terrestres.
500 milhões de embalagens devolvidas
Segundo a SDR Portugal, o sistema atingiu 500 milhões de embalagens devolvidas na semana de 16 de outubro, cerca de seis meses depois do início da operação. A entidade refere uma rede com mais de 3000 pontos automáticos, a que se juntam pontos manuais e oito quiosques volta.
O número dá dimensão ao fluxo de embalagens que regressa à cadeia, embora não permita, por si só, determinar a taxa de recolha: para essa avaliação, seria necessário conhecer também a quantidade de embalagens abrangidas pelo sistema colocadas no mercado no período correspondente.
A entidade gestora associa a consolidação da infraestrutura à capacidade de aumentar a recolha e reduzir os constrangimentos no espaço público. Propõe ainda uma atuação concertada com os parceiros para responder a impactos sociais observados, sem os especificar no comunicado.
Para os operadores envolvidos, o crescimento das devoluções coloca uma exigência concreta: ajustar capacidade, localização e soluções de recolha aos diferentes utilizadores. É nessa passagem da adesão à capacidade de resposta que se joga a próxima fase da operação.


