O setor do transporte e armazenamento em Portugal empregava, no segundo trimestre de 2026, 246,5 mil profissionais, o que representa 4,6% do emprego total nacional. Um dado que confirma a tendência de expansão da década entre 2014 e 2014, em que os profissionais do setor passaram de 150,9 mil para 242,8 mil.
Estes são dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), analisados pela Randstad Research, que se socorreu ainda do Eurostat e do IEFP para fazer um raio-X ao mercado de trabalho setorial.
Relativamente à década em foco, a consultora nota que este aumento se verificou particularmente no subsetor de correios e entregas, em que a força laboral triplicou, e na armazenagem, em que cresceu 30,5%.
A propósito, a diretora de Marketing da Randstad Portugal, Isabel Roseiro, comenta que os dados revelam um setor extremamente dinâmico e crucial para a economia portuguesa, com salários acima da média nacional e uma forte capacidade de criação de emprego.
Em franco crescimento está igualmente o número de empresas no setor de transportes e armazenamento, que triplicou na década em análise, passando de 21,5 mil em 2014 para 64,5 mil em 2024. Um cenário fortemente impulsionado pela expansão do transporte terrestre (que atingiu as 45,9 mil empresas) e pelo boom do comércio eletrónico e das entregas expresso, que somam 14,6 mil empresas.
O core da atividade logística (composto pelas divisões de armazenagem, atividades auxiliares, correios e entregas) representa hoje 30% do emprego total do setor, correspondendo a 71,5 mil profissionais.
Competitividade salarial
Além do volume de emprego, a Randstad evidencia a competitividade salarial do setor, com a remuneração média mensal a atingir os 2.156,79 euros em 2024, um valor que se situa 33,8% acima da média nacional. Nas áreas específicas do core logístico, os valores são ainda mais atrativos: a armazenagem fixa-se nos 2.449,18 euros (mais 52% que a média nacional) e os correios nos 2.095,08 euros (mais 30%).
No que diz respeito à estrutura das profissões, a análise aos dados do Eurostat do primeiro trimestre de 2026 mostra que quase metade da força de trabalho (46,5%) é composta por operadores de máquinas, instalações e condutores, num total de 110,8 mil profissionais. O apoio administrativo concentra 19,5% dos trabalhadores (46,5 mil), enquanto os quadros técnicos e de gestão representam 18,6% (44,3 mil).
Longe da paridade
A partir de dados do INE, a Randstad Research nota que o setor continua a ser marcado por uma elevada masculinização. Os homens representam atualmente 79,4% do pessoal ao serviço, o que corresponde a 195,8 mil profissionais, com as mulheres a correspondem a apenas 20,6% (50,7 mil), evidenciando-se um contraste com a realidade nacional.
No que toca ao desemprego, mantém-se na ordem dos 2% do total nacional, de acordo com os dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). No entanto, o estudo identifica uma forte componente sazonal associada às campanhas de consumo, o que se traduz em picos recorrentes no mês de janeiro, motivados pelo fim dos contratos temporários celebrados durante o final do ano.
Geograficamente, o desemprego no setor está fortemente centralizado, com Lisboa e Vale do Tejo (2.174 pessoas) e o norte (1.805 pessoas) a concentrarem, em conjunto, 74,1% dos casos. Porém quando se analisa o peso relativo do setor no mercado de trabalho de cada região, o desemprego na logística assume maior proporção no Algarve (2,9%), na Madeira (2,8%) e em Lisboa (2,5%).
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