Os investimentos em tecnologia estão a transformar a supply chain, mas a integração entre funções e a capacidade de decisão continuam a travar os resultados. Neste artigo de opinião, Fernando Mascarenhas, partner da KPMG Portugal, defende que a competitividade das empresas depende cada vez mais da capacidade de ligar informação, planeamento e execução em toda a organização.
Durante muitos anos, vimos a Supply Chain como uma função focada na eficiência: planear, comprar, produzir e entregar. Mas essa visão tornou-se insuficiente.
Num contexto marcado por disrupções geopolíticas, volatilidade da procura, alterações regulatórias, eventos climáticos e aceleração da IA, as organizações líderes estão a redefinir a Supply Chain como uma capacidade empresarial que liga informação, decisões e execução em toda a organização.
O estudo global da KPMG, Transforming the Enterprise – Supply Chain, baseado nos inputs de mais de 1.750 líderes deixa uma mensagem clara: a próxima geração de vantagem competitiva não será construída apenas através da otimização dos fluxos físicos, mas através da capacidade de orquestrar decisões em ecossistemas cada vez mais complexos e interdependentes.
Alguns dados para reflexão:
- A IA já está incorporada em funções críticas como logística, gestão de inventário e planeamento da procura…
- Mas apenas 38% dos líderes reportam uma forte integração entre os processos de Supply Chain e os processos empresariais de planeamento e análise…
- Sendo que menos de metade das organizações considera ter competências internas de IA suficientemente desenvolvidas para suportar a transformação em curso.
- Os resultados não são brilhantes – apenas 14% das organizações consideram-se top performers face aos seus pares, apesar dos elevados investimentos em transformação.
Na minha perspetiva, isto levanta três prioridades para os CEO e COO:
Evoluir da visibilidade para a decision intelligence – Dados são um qualifier. A vantagem está na capacidade de transformar informação em decisões coordenadas e rápidas.
Integrar antes de automatizar – A tecnologia não substitui a necessidade de processos integrados, governance clara e accountability transversal.
Transformar a Supply Chain numa capacidade empresarial – A Supply Chain é hoje uma das poucas funções com visibilidade end-to-end do negócio, reunindo condições únicas para alinhar estratégia, operações e execução.
O futuro da Supply Chain não será definido pela eficiência das operações. Será definido pela capacidade de antecipar mudanças, coordenar respostas e acelerar decisões.
Fernando Mascarenhas, partner | KPMG Portugal


