Os portos europeus estão a avançar na integração de critérios ambientais na sua atividade quotidiana, mas enfrentam dificuldades crescentes para traduzir os seus compromissos de sustentabilidade em resultados concretos. Esta é a conclusão do Relatório Ambiental 2026, da Organização Europeia de Portos Marítimos (ESPO), que abrangeu 73 portos de 17 países, incluindo quatro em Portugal.
Pelo quinto ano consecutivo, as alterações climáticas lideram a classificação das dez prioridades ambientais dos portos europeus, seguindo-se a qualidade do ar e a eficiência energética.
O relatório assinala que 85% das autoridades portuárias participantes dispõe de objetivos próprios de redução dos gases com efeito de estufa, sendo que 79% está a adotar medidas para melhorar a resiliência das suas infraestruturas.
Além disso, 89% incorpora critérios de adaptação climática no desenvolvimento de novas instalações, refletindo a crescente preocupação com os efeitos dos fenómenos meteorológicos extremos sobre a atividade portuária.
No que toca à eletrificação, outro dos focos da transformação, o documento mostra que 60% dos portos analisados dispõe de sistemas de fornecimento de energia a navios atracados, uma tecnologia destinada a reduzir as emissões durante as escalas.
Neste contexto, a ESPO adverte que a capacidade das redes elétricas e as dificuldades de fornecimento continuam a representar obstáculos importantes à expansão destas instalações.
Em paralelo, 93% dos portos respondentes possui pontos de carregamento elétrico para automóveis e camiões, o que evidencia a progressiva extensão da transição energética ao transporte terrestre vinculado aos recintos portuários.
O estudo confirma ainda o crescimento dos mecanismos económicos destinados a favorecer comportamentos ambientais mais responsáveis. Concretizando, aponta que 70% dos portos aplica taxas diferenciadas segundo o desempenho ambiental dos navios.
De acordo com as conclusões do documento, as políticas ambientais estão amplamente implantadas entre as autoridades portuárias europeias. Assim, 97% dos portos possui uma política estabelecida, 99% estabeleceu objetivos de melhoria e 95% dispõe de programas específicos de acompanhamento. Além disso, 85% publica informação ambiental, o que constitui um máximo desde que a ESPO desenvolve este estudo.
O principal desafio, segundo a organização, consiste em demonstrar que os sistemas de gestão ambiental produzem melhorias verificáveis. O relatório sublinha a necessidade de reforçar a aplicação efetiva das medidas, melhorar o acompanhamento dos indicadores e partilhar experiências entre portos.


