Da previsão das necessidades de transporte às ligações marítimas, a Fruit Attraction 2026 mostrou como os operadores procuram responder às exigências da cadeia hortofrutícola. Portugal esteve representado por uma participação conjunta recorde, num momento em que o setor pretende aumentar as exportações.

Uma campanha agrícola pode concentrar, em poucas semanas, necessidades de transporte difíceis de acomodar. Pelo caminho, um atraso na recolha, uma falha na conservação ou uma retenção aduaneira podem comprometer a entrega. Foi para responder a problemas deste tipo que vários operadores apresentaram as suas soluções na Fruit Attraction, realizada de 6 a 8 de outubro, em Madrid.

A DHL Supply Chain e a DHL Global Forwarding participaram conjuntamente na feira, com destaque para a utilização de inteligência artificial e análise de dados no planeamento das operações hortofrutícolas. Segundo as empresas, estas ferramentas permitem identificar padrões de procura, prever necessidades de capacidade e reservar recursos para as campanhas com maior antecedência.

A DHL aponta também aplicações no planeamento dinâmico de rotas e na otimização do espaço de carga, procurando melhorar a ocupação dos veículos e reduzir quilómetros em vazio. Nas operações internacionais, refere o potencial da análise de dados para antecipar riscos aduaneiros e apoiar o acesso a novos mercados.

No acompanhamento dos envios, a DHL Supply Chain utiliza agentes de inteligência artificial, como o HappyRobot, para recolher informação junto dos transportadores e agilizar a comunicação. Conhecer mais cedo um atraso ou uma ocorrência durante o percurso permite ajustar o planeamento e avaliar os riscos para a conservação da mercadoria.

“A inteligência artificial começa a proporcionar-nos algo particularmente valioso na logística hortofrutícola: capacidade de antecipação”, afirma Rafael Muñoz, diretor de Transporte da DHL Supply Chain Iberia. O responsável destaca a previsão da capacidade necessária, a resposta a imprevistos e o cumprimento dos horários de entrega entre os problemas que a tecnologia pode ajudar a resolver.

 

Operadores alargam os serviços

A Primafrio levou à feira o desenvolvimento da sua oferta de armazenagem multitemperatura, complementando a atividade de transporte. A empresa dispõe de espaços para produtos refrigerados e à temperatura ambiente e está a desenvolver capacidade para congelados. Aos serviços de armazenagem junta gestão aduaneira e logística integrada, com um sistema de gestão de armazéns desenvolvido internamente.

A Logista, por seu turno, apresentou uma proposta que reúne Transportes El Mosca, Logista Freight e Logista Parcel, desde o transporte internacional à distribuição capilar. Equipamentos bi e multitemperatura, contentores marítimos refrigerados e monitorização da temperatura em tempo real fazem parte da oferta. A rede da Logista Parcel abrange Portugal, Espanha e Andorra.

Já a Maersk destacou o serviço de Cold Chain Management, que coordena o planeamento, a execução, a monitorização e a entrega das operações a temperatura controlada. A empresa apresentou a visibilidade sobre o percurso da mercadoria como mais-valia e um apoio à decisão e à preservação da qualidade dos produtos.

A componente portuária trouxe à feira exemplos das infraestruturas e dos serviços disponíveis para o comércio internacional de perecíveis. O Porto de Bilbao apresentou duas novas ligações diretas em contentor com a América: uma com a costa oeste da América do Sul, com escalas na República Dominicana, Colômbia, Panamá, Peru e Chile, e outra com o Canadá.

A autoridade portuária destacou ainda as 540 tomadas para contentores refrigerados do seu terminal e os novos equipamentos de refrigeração das câmaras e dos cais de carga do posto de controlo fronteiriço. Estas condições são relevantes para mercadorias cuja passagem pelo porto exige conservar o produto enquanto decorrem as operações e os controlos.

 

Portugal com participação recorde

A presença conjunta organizada pela Portugal Fresh reuniu 50 entidades num espaço de 838 m², quase 20% superior ao de 2025. A comitiva integrou empresas produtoras e exportadoras, associações de produtores e parceiros institucionais e de serviços.

Segundo os dados divulgados pela associação, as exportações portuguesas de frutas, legumes e plantas ornamentais atingiram cerca de 2,6 mil milhões de euros em 2025. A Portugal Fresh pretende ultrapassar três mil milhões de euros anuais até 2030, através da consolidação dos mercados habituais e da diversificação de destinos.

Entre as empresas portuguesas presentes, a Vitacress anunciou sessões com fornecedores e parceiros sobre o seu programa de sustentabilidade Second Nature, que tiveramm como temas a redução de emissões e a resiliência climática da cadeia de abastecimento.

Organizada pela IFEMA MADRID e pela FEPEX, a 18.ª edição da Fruit Attraction reuniu 2.500 empresas expositoras de 78 países. Num primeiro balanço divulgado ainda antes do encerramento, a organização indicava a visita de mais de 121 mil profissionais de mais de 150 países.