A estratégia da ALDI para Portugal contempla a expansão da infraestrutura logística no norte do país, quer do ponto de vista da dimensão, quer do ponto de vista de integração das diferentes temperaturas. Este é um passo necessário para suportar o crescimento futuro da rede de lojas, como deu conta, em entrevista à SCM, o managing director Supply Chain Management, André Fradinho.
“A nossa rede logística é planeada com um horizonte de longo prazo e tem de acompanhar o ritmo de expansão da ALDI em Portugal”, enquadra o porta-voz, afirmando que, depois da abertura da Moita e, mais recentemente, de Valongo, o próximo passo previsto passa pela evolução da infraestrutura logística no norte.
Com cerca de 16 mil m², dos quais aproximadamente 1.700 m² dedicados ao frio positivo, e capacidade para abastecer mais de 70 lojas, o Centro de Distribuição de Valongo, inaugurado em 2025, foi “uma solução importante” para aproximar a operação das lojas desta região e reduzir significativamente as distâncias de transporte. Contudo, não foi dimensionado para concentrar todas as operações e temperaturas de produto que o retalhista gere atualmente.
Já o Centro de Distribuição da Moita, com cerca de 57 mil m², constitui o maior centro do retalhista em Portugal e é um dos maiores do Grupo ALDI Nord. Foi dimensionado para suportar aproximadamente 150 lojas e, antes da abertura de Valongo, esteve muito próximo desse nível de utilização. Assegura essencialmente o abastecimento do centro e sul do país.
De acordo com André Fradinho, a empresa continua a acompanhar a evolução da presença na região sul, com uma eventual expansão da capacidade logística a depender do ritmo de crescimento e da densidade da rede de lojas.
“O princípio que seguimos é o de garantir que a capacidade logística acompanha e, quando necessário, antecipa o crescimento do negócio, sendo que cada investimento acontece no momento em que a escala e a eficiência da rede o justificam”, destaca.
Contudo, o porta-voz ressalva que, quando se fala de capacidade logística, não olha apenas para a capacidade física de um centro de distribuição: “O que procuramos otimizar é a rede como um todo, considerando os custos de operação e transporte, as distâncias às lojas, os tempos de entrega e o nível de serviço”, explica.
Assim – adianta – à medida que o número de lojas aumenta, “torna-se cada vez mais importante melhorar a qualidade das decisões” tomadas diariamente ao longo de toda a cadeia de abastecimento. “Por isso, temos vindo a investir fortemente na evolução dos nossos sistemas de planeamento e aprovisionamento, permitindo integrar numa única plataforma o planeamento das lojas e dos centros de distribuição”, refere, concretizando com a utilização de modelos avançados de machine learning e inteligência artificial na previsão da procura dos produtos, o que ajuda a tomar decisões mais precisas sobre os níveis de stock e o aprovisionamento das lojas.
O objetivo – resume André Fradinho – “é simples, embora operacionalmente exigente: ter o produto certo na quantidade certa, evitando ruturas e excedentes”. Na ótica do responsável de supply chain da ALDI em Portugal, “esta evolução é fundamental para melhorar a disponibilidade dos produtos, reduzir o desperdício alimentar e tornar toda a cadeia mais eficiente”.
A mesma transformação aconteceu ao nível do transporte: de um processo de planeamento essencialmente manual evoluiu para uma abordagem mais automatizada, suportada por algoritmos capazes de avaliar múltiplas variáveis, como as necessidades das lojas, as janelas horárias, as restrições operacionais e as características das diferentes rotas. “Isto permite-nos desenhar planos de distribuição mais eficientes e adaptar a operação a uma rede cada vez maior e mais complexa”, enquadra.
No fundo, o maior desafio de acompanhar o crescimento da ALDI em Portugal tem sido conseguir aumentar a escala da operação sem aumentar, na mesma proporção, a sua complexidade. “É por isso que continuamos a investir numa combinação entre uma rede logística bem dimensionada, processos sólidos, tecnologia e equipas altamente competentes. É essa articulação que nos permite acompanhar a expansão da nossa rede de lojas e continuar a garantir aquilo que é essencial no nosso modelo de negócio: disponibilidade, frescura, qualidade e eficiência ao menor custo possível”, conclui.
A ALDI comemora este ano duas décadas de presença no mercado português. A 29 de junho de 2006, abriu as primeiras lojas no Algarve, possuindo, atualmente, uma rede que supera as 160 a nível nacional.
👉A entrevista com André Fradinho, managing director Supply Chain Management da ALDI Portugal, poderá ser lida na íntegra numa próxima edição da SCMedia News.


