O que é inovar em procurement? A resposta foi dada na Procurement Conferência 2026 por Luís Lobato e Flávia Coelho, da Randstad Portugal, muito embora tenha sido uma conclusão indireta nascida dos casos práticos que partilharam com a audiência.
O programa mostrava que iriam debruçar-se sobre o tópico “O líder não vem sozinho – 5 decisões que tomamos juntos” e o que mostraram que foi do trabalho colaborativo que emergiu uma nova forma de olhar para as compras e o procurement, resultando em inovação.
E resultado com benefício objetivo para a empresa, como aconteceu com o primeiro dos casos que deram a conhecer. Envolvia um fornecedor histórico, com o qual a equipa de procurement se limitava a negociar a atualização do contrato, ao invés de acrescentar valor desde a fase inicial do processo. Havia pressão interna para manter o fornecedor, por receio dos riscos que a mudança pudesse aportar, não obstante já terem sido identificado alguns problemas de natureza tecnológica. Era estável, mas desconhecia-se se o valor praticado estava adaptado ao mercado. E não estava, com a renegociação a resultar numa poupança de 20%. O fornecedor manteve-se, o contrato foi renovado por três anos, mas aprendeu-se a importância de desafiar o business owner para ir ao mercado.
Um segundo caso teve na sua origem a identificação de que existiam muitas compras descentralizadas que não tinham PO, gerando uma sucessão de problemas, desde logo não saber qual a categoria de produto que estava a ser comprada. E obrigando todos os meses a contabilidade a um trabalho de cruzamentos de dados com os centros de custos, de modo a alocar essas faturas.
Neste cenário, a decisão envolveu a montagem de um projeto que pode ser resumido de forma simples: sem PO não há pagamento. Foi identificado o volume de vendas, foram contactados os fornecedores e a mensagem passou. Com este projeto, a equipa aprendeu que possui a capacidade de dizer não, mas que, para isso, há que trabalhar na cultura das pessoas e da empresa. E aprendeu que esta decisão deveria ter sido tomada mais cedo.
E porque é que estas situações acontecem? Os dois responsáveis da Randstad – Luís Lobato é general & admin. Services director e Flávia Coelho é procurement & contract specialist – partilharam a sua visão de que o procurement continua a não ter o lugar que merece à mesa da decisão. Durante a pandemia, a função ganhou um reconhecimento maior, mas, depois, registou-se um retrocesso. O que os dois profissionais defendem é que as organizações precisam de perceber que o procurement não se limita a negociar preço – acrescenta valor.


