O novo cargueiro da Airbus realizou o primeiro voo, com uma duração de cerca de quatro horas. Segue-se uma campanha de ensaios e certificação de nove meses, antes da entrada em serviço, prevista para o segundo semestre de 2027.
O Airbus A350F concluiu esta terça-feira, 29 de setembro, o seu voo inaugural, abrindo uma nova etapa no programa com que o fabricante europeu pretende disputar um mercado de aviões cargueiros de longo curso, historicamente dominado pela Boeing.
O primeiro aparelho de ensaios, o MSN700, descolou das instalações da Airbus em Toulouse, sobrevoou várias unidades industriais do grupo no sudoeste de França e regressou ao aeroporto de partida cerca de quatro horas depois.
O voo acontece pouco mais de um ano após a Airbus ter iniciado, também em Toulouse, a montagem do primeiro A350F, depois da chegada das principais secções da fuselagem e das asas produzidas em diferentes unidades europeias.
Lars Wagner, CEO da Airbus Commercial Aircraft, afirmou que o voo decorreu sem problemas e manteve o objetivo de entregar o primeiro A350F no segundo semestre de 2027. Até lá, o programa deverá envolver dois aviões de ensaio e aproximadamente 400 horas de voo.
Uma nova disputa no mercado de cargueiros
A Boeing construiu ao longo de várias décadas uma posição dominante neste segmento, com os cargueiros 747, 767 e 777. A Airbus procura agora contrariá-la com um avião baseado na plataforma do A350, mas especificamente adaptado às exigências do transporte de carga.
Segundo a Reuters, a Airbus contabiliza 115 encomendas do A350F, enquanto o futuro Boeing 777-8F soma 81. A concorrência intensifica-se, apesar de nenhum dos dois novos modelos se encontrar ainda em operação comercial.
Com 70,8 metros de comprimento, o A350F terá capacidade para transportar até 111 toneladas e um alcance de 4.700 milhas náuticas, aproximadamente 8.700 quilómetros. Poderá acomodar 30 contentores ou paletes no convés principal e 40 contentores LD3 no convés inferior. Uma das principais características do avião é a porta de carga com cerca de 4,3 metros de abertura útil. Instalada na secção traseira da fuselagem, permitirá carregar equipamentos fora de formato e motores aeronáuticos de grandes dimensões. A Airbus apresenta-a como a maior porta de carga no convés principal disponível neste segmento.
Equipado com motores Rolls-Royce Trent XWB-97, o cargueiro partilhará grande parte dos componentes, ferramentas e procedimentos de manutenção com os restantes modelos da família A350, reduzindo as necessidades adicionais de formação e inventário para os operadores que já utilizam esta plataforma.
A fabricante europeia estima que o A350F poderá reduzir em pelo menos 20% o consumo de combustível e as emissões de CO₂ face aos cargueiros que deverá substituir e afirma que o avião estará preparado para cumprir as novas normas internacionais de emissões aplicáveis às aeronaves produzidas a partir de 2028. São, por enquanto, projeções da Airbus. A campanha agora iniciada terá de validar o desempenho aerodinâmico, as cargas estruturais, os motores e os sistemas específicos de movimentação e proteção da carga.
O primeiro voo não representa, por isso, apenas um marco técnico. Abre a fase em que a Airbus terá de demonstrar que as vantagens anunciadas se traduzem em desempenho, fiabilidade e custos operacionais capazes de desafiar a Boeing num dos segmentos mais estratégicos da aviação comercial.
Foto: Airbus


