A proibição de circulação de pesados na Via de Cintura Interna (VCI) do Porto, que liga a cidade a Vila Nova de Gaia, entrou esta terça-feira em vigor. Uma medida que a ANTRAM e a APLOG consideram penalizadora para os operadores de transportes e logística. A APOL já tinha alertado para a carga burocrática associada.
Em causa um percurso de mais de 20 quilómetros de trânsito condicionado a pesados entre as 7h e as 21 nos dias úteis. Esta interdição obrigada a um desvio superior a 60 quilómetros, pela CREP – Circular Regional Externa do Porto, o que traz custos acrescidos para os operadores, nomeadamente em combustível.
Foram abertas exceções para os camiões que tenham como origem ou destino os municípios do Porto e de Gaia para carga e descarga de mercadorias. No entanto, as empresas transportadoras têm de solicitar uma habilitação prévia de circulação, na plataforma de registo de matrículas criada pelos dois municípios.
Porém, de acordo com declarações, ao ECO; de André Almeida, porta-voz da ANTRAM – Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias, a plataforma apenas ficou operacional na tarde de segunda-feira, véspera da entrada em vigor da proibição.
“A nossa posição é de uma enorme apreensão em relação a esta proibição de circulação”, comenta, citado pelo jornal online, manifestando “poucas dúvidas” de que estará instalado “o caos burocrático com esta plataforma”.
Isto porque, para poderem circular na VCI, “as empresas têm de introduzir na plataforma a matrícula do veículo, a carga e a origem, o destinatário e anexar as guias de transporte”. Trata-se de informação que a Autoridade Tributária já possui, o que significa que se está a duplicar procedimentos.
O porta-voz da ANTRAM alerta ainda para o impacto financeiro desta medida e para o risco de algumas empresas, principalmente as de menor dimensão, enfrentarem dificuldades económicas para conseguirem operar.
Também o presidente da Associação Portuguesa de Logística (APLOG), Afonso Almeida, considera esta medida “penalizadora para a maior parte das empresas, para os operadores de transportes e para a própria indústria”.
Citado pelo ECO, adianta que a medida vai significar despesas acrescidas, resultantes desde logo do maior tempo de viagem e dos quilómetros adicionais que algumas operações terão de fazer devido ao desvio pela CREP.
A APOL – Associação Portuguesa de Operadores Logísticos já tinha alertado igualmente para a carga burocrática decorrente desta proibição.
As duas associações de logística reconhecem, no entanto, a necessidade de aliviar o congestionamento do tráfego na VCI.


