Portugal registou 229.973 m2 de ocupação no mercado industrial e logístico no primeiro semestre do ano, mais 2% do que no período homólogo, segundo os dados do Spotlight Industrial & Logistics Market, da Savills.Os dados mostram que a logística foi o motor da procura, ao concentrar 73% da procura total.
O segundo trimestre concentrou 160.866 m2, mais do dobro dos 69.107 m2 quando comparado com os primeiros três meses do ano. A região da Grande Lisboa responde por 76% do total nacional, e o Grande Porto ficou-se pelos 55.190 m2.
“A procura continua claramente acima da oferta disponível, tornando a disponibilidade de produto de qualidade o principal fator condicionante da ocupação. Com mais de metade do pipeline da Grande Lisboa já comprometido antes da conclusão, antecipamos uma pressão crescente sobre as rendas prime e um reforço das soluções build-to-suit e pré-arrendamento, à medida que as opções para os ocupantes se tornam cada vez mais escassas”, – Alexandra Gomes, head of Research da Savills Portugal
Grande Lisboa: o melhor desempenho desde 2024
A Grande Lisboa registou 174.783 m2 de área transacionada no primeiro semestre. De acordo com a Savills, este foi o melhor desempenho da região desde 2024 em valor absoluto, com um mínimo histórico de espaço disponível. O segundo semestre concentrou 74% do volume total.
A área da logística cresceu mais de 14% em termos homólogos e passou a representar 75% de toda a área ocupada. A Savills indica que o mercado logístico da Grande Lisboa integra um stock de cerca de 3,5 milhões de m2 e apresenta uma taxa de disponibilidade de apenas 1,8%, o que reflete a pressão da procura sobre a oferta existente.
O pipeline atualmente em desenvolvimento na Grande Lisboa para este ano totaliza cerca de 40.000 m2, dos quais mais de um terço já se encontra pré-arrendado ou com ocupação contratada.
Grande Porto: pressão sobre a oferta disponível
Já o Grande Porto registou um voluma de ocupação de 55.190 m2 no primeiro semestre de 2026, apenas 2% inferior ao observado no mesmo período em 2025. A Savills indica que estes dados sugerem que esta redução não reflete um abrandamento da procura, mas sim as limitações impostas pela escassez de oferta disponível.
A taxa de disponibilidade situou-se nos 0,5% de um parque logístico e industrial superior a 1,3 milhões de m2.
Valongo destacou-se como o principal foco de procura, com 36.885 m2 contratados, equivalentes a 67% do total regional, resultado de duas operações de 12.500 m2 cada no Panattoni Park Valongo.
Pedro Figueiras, diretor e head of Lisbon da Savills Portugal, afirma que Portugal tem todas as condições para se afirmar como um dos principais mercados logísticos do sul da Europa.
“A combinação de taxas de disponibilidade historicamente baixas, a internacionalização crescente da economia, o reforço das exportações e uma posição geoestratégica privilegiada nas cadeias globais de abastecimento continua a atrair operadores nacionais e internacionais. Neste contexto, o desenvolvimento de nova oferta logística representa não apenas uma oportunidade imobiliária, mas uma necessidade para acompanhar a expansão da procura e aumentar a competitividade do país enquanto plataforma de distribuição e investimento” – Pedro Figueiras, diretor e head of Lisbon da Savills Portugal


