A Plataforma Logística e Industrial de Salvaterra-As Neves entra numa nova fase com a conclusão da ligação ferroviária ao Porto de Vigo. Do lado português, os dez municípios do Alto Minho colocaram no topo das prioridades rodoviárias a criação de um acesso direto à plataforma galega.

A Plataforma Logística e Industrial de Salvaterra-As Neves (PLISAN), um projeto lançado há 25 anos no sul da Galiza, está a entrar numa nova fase de desenvolvimento. A conclusão do terminal ferroviário reforça a ambição de transformar este espaço num nó intermodal com influência em toda a eurorregião Galiza-Norte de Portugal.

Promovida desde 2001 pela Xunta de Galicia, pela Autoridade Portuária de Vigo e pelo Consórcio da Zona Franca de Vigo, a PLISAN localiza-se nos municípios de Salvaterra de Miño e As Neves, junto à fronteira portuguesa e a cerca de 35 quilómetros de Vigo.

A plataforma dispõe atualmente de uma superfície bruta próxima dos três milhões de metros quadrados e de cerca de 1,57 milhões de metros quadrados de área útil. Está ligada por estrada à A-52, à AP-9 e à A-55, esta última com ligação ao Norte de Portugal, e integra áreas destinadas à logística intermodal, transformação industrial, atividade empresarial e serviços, segundo a Autoridade Portuária de Vigo.

Concebida como porto seco e extensão logística do Porto de Vigo, a infraestrutura destina-se a concentrar empresas, operadores e serviços associados ao transporte, à armazenagem, à distribuição e à transformação de mercadorias.

Terminal ferroviário preparado para comboios de 750 metros

O principal avanço registado este ano foi a conclusão do apartadero ferroviário da PLISAN, validada no final de junho pelo Conselho de Administração da Autoridade Portuária de Vigo. A infraestrutura, que representa um investimento aproximado de 33 milhões de euros, dispõe de vias eletrificadas preparadas para receber comboios de mercadorias com até 750 metros. A ligação permitirá unir a plataforma à terminal marítima de Guixar, no Porto de Vigo, e à rede ferroviária geral, criando condições para movimentar contentores e carga convencional.

Um dos objetivos passa por transferir para a PLISAN parte dos contentores vazios atualmente concentrados na área portuária. A operação poderá libertar espaço no porto e apoiar a ambição de Vigo de atingir uma movimentação anual de 400 mil TEU. Para 2026, a previsão apontava para cerca de 320 mil TEU, de acordo com informação divulgada pelo jornal Atlántico.

A conclusão da componente ferroviária representa, assim, um passo importante para um projeto que, ao longo de mais de duas décadas, foi marcado por atrasos na urbanização, nas acessibilidades e na instalação de empresas.

Empresas instaladas, mas ainda existe solo disponível

A PLISAN já acolhe ou tem acordos de instalação com empresas como a Conservas Albo, Frinsa, Lonza Biologics e o Grupo Tecnológico Arbinova, ligado à Beta Implants.

A Conservas Albo é uma das principais referências da plataforma. A fábrica entrou em funcionamento em 2023, após um investimento próximo de 30 milhões de euros, e tem capacidade para produzir mais de 100 milhões de latas por ano. Em abril de 2026, a empresa comprou as três parcelas que ocupava através de um direito de superfície, consolidando uma implantação com quase 63 mil metros quadrados.

Apesar destes investimentos, a ocupação empresarial permanece aquém da dimensão projetada. Em abril, a Xunta de Galicia colocou em venda direta 32 parcelas, correspondentes a 132.714 metros quadrados, depois de apenas um terreno ter sido adjudicado num processo anterior de venda por leilão.

A Área Logística Empresarial tem 59 parcelas urbanizadas, que totalizam 411.684 metros quadrados. Paralelamente, está a ser preparada a urbanização da Área Multifuncional Industrial, com mais de 1,07 milhões de metros quadrados. Com esta expansão, a superfície global da PLISAN deverá aproximar-se dos 4,2 milhões de metros quadrados, segundo a Xunta de Galicia.

Alto Minho quer ligação direta à plataforma

A evolução da PLISAN está também a provocar uma resposta do lado português da fronteira. A ligação à plataforma galega ficou no topo das prioridades rodoviárias apresentadas esta segunda-feira, 7 de setembro, pela Comunidade Intermunicipal do Alto Minho, após uma reunião realizada em Ponte de Lima.

O documento, aprovado pelos presidentes dos dez municípios da região, define como primeira prioridade a construção da variante Valença-Monção-Melgaço até Salvaterra-As Neves, incluindo uma nova travessia internacional do rio Minho com cerca de 300 metros.

A concretização desta obra criaria uma ligação direta entre o eixo empresarial do Alto Minho e a área onde está instalada a PLISAN, permitindo às empresas portuguesas aceder mais facilmente à plataforma e, através dela, à ferrovia e ao Porto de Vigo.

A lista de prioridades da CIM inclui igualmente o prolongamento da A28 entre Vila Nova de Cerveira e o nó de Sapardos, ou até à futura variante de Valença, dependendo da solução que resultar dos estudos técnicos. Entre os restantes projetos estão a ligação do IC28 à fronteira da Madalena, em Ponte da Barca, a ligação ferroviária direta ao Porto de Viana do Castelo, os estudos para uma nova ponte transfronteiriça entre Caminha e A Guarda, a requalificação das estradas nacionais EN101, EN306, EN303 e EN301 e uma nova ligação à A28, a norte de Viana do Castelo.

O documento já foi apresentado ao Governo. Depois de uma primeira reunião com o ministro das Infraestruturas, realizada em agosto, está previsto um novo encontro em setembro, que deverá contar também com a participação da Infraestruturas de Portugal. A expectativa dos municípios é que algumas das prioridades sejam integradas numa resolução do Conselho de Ministros.

A conclusão da ferrovia na PLISAN e a reivindicação de uma ligação rodoviária direta a partir do Alto Minho aproximam, assim, duas estratégias que até agora avançaram sobretudo de forma paralela. O desafio será transformar essa proximidade geográfica numa rede logística verdadeiramente articulada e capaz de gerar oportunidades empresariais dos dois lados da fronteira.