O Grupo Consultivo de Transporte Marítimo, que inclui autoridades de 18 países, entre os quais Portugal, alertou esta terça-feira para o colapso das regras do transporte marítimo de mercadorias em consequência do crescimento das tensões geopolíticas.
Esta é a primeira intervenção pública deste grupo internacional criado na década de 1960 e que representa mais de um quinto de todo o comércio internacional, reunindo países como Singapura, Canadá, Reino Unido e Alemanha.
Em comunicado, citado pela cadeia televisiva CNBC, acentua que mais de 80% do comércio global ocorre através do mar e que, sem o transporte marítimo, “as cadeias de abastecimento fragmentar-se-iam e a economia global ficaria paralisada de forma repentina”.
O grupo recorda que as cadeias de abastecimento têm sido impactadas sucessivamente por fenómenos como a pandemia da Covid-19 e os conflitos na Ucrânia e no Irão. A propósito, nota que, no caso da guerra da Ucrânia, as sanções ocidentais deram origem à criação da chamada “frota fantasma” da Rússia. E que, no Médio Oriente, o bloqueio do estreito de Ormuz afetou a movimentação marítima e os preços do petróleo. Eventos que – alerta – não são choques pontuais, mas, sim, “sinais de uma mudança estrutural no ambiente operacional do comércio global”.
O que se verifica em consequência é o emergir de “abordagens divergentes” de região para região e de “medidas de comércio discriminatórias”, bem como a transformação das rotas marítimas em “instrumentos de influência e de risco”.
“O transporte marítimo global funciona melhor quando as regras são claras e consistentes em todo o mundo”, lê-se no comunicado, que adverte que a “fragmentação das regras conduz diretamente à fragmentação dos mercados e, em última análise, a custos mais elevados para as empresas e os consumidores”.


