Um ataque russo danificou o complexo logístico da Biocon, na região de Kiev, uma das maiores infraestruturas especializadas no armazenamento de produtos farmacêuticos da Ucrânia. A mesma vaga de ataques atingiu também um armazém da Teva e instalações utilizadas pela Organização Mundial da Saúde, aumentando a pressão sobre o abastecimento de medicamentos e material médico no país.
O complexo da Biocon, localizado no distrito de Boryspil, foi atingido durante o ataque lançado pela Rússia na madrugada de 3 de setembro. A infraestrutura tem cerca de 30 mil metros quadrados e encontra-se próxima do Aeroporto Internacional de Boryspil e de alguns dos principais eixos rodoviários da região de Kiev.
A Biocon está especializada em logística e armazenagem farmacêutica, disponibilizando instalações a fabricantes internacionais e serviços de armazenamento em entreposto aduaneiro. A empresa é apontada como um dos principais operadores de logística farmacêutica e de saúde do mercado ucraniano.
As autoridades regionais confirmaram danos num edifício logístico na comunidade de Prystolychna, bem como noutros armazéns, num edifício administrativo e em estabelecimentos comerciais. A identificação da infraestrutura como pertencendo à Biocon foi avançada por fontes do mercado farmacêutico citadas pela imprensa ucraniana.
As perdas poderão atingir milhares de milhões de hryvnias, de acordo com estimativas preliminares dessas fontes. A dimensão efetiva dos danos e o volume de medicamentos ou outros produtos destruídos ainda não foram confirmados oficialmente.
A Teva Ucrânia informou igualmente que um dos seus armazéns foi atingido duas vezes durante os ataques de 3 de setembro. Não foram registados feridos entre os trabalhadores. A farmacêutica está a avaliar os danos e o possível impacto sobre o fornecimento de medicamentos ao mercado ucraniano. A empresa afirmou estar a tomar medidas para minimizar eventuais perturbações e garantir que os doentes continuam a ter acesso aos tratamentos de que necessitam.
A Teva não divulgou, até ao momento, informação detalhada sobre os stocks atingidos, a capacidade operacional que permanece disponível ou os planos de contingência acionados.
Material médico da OMS entre os bens em risco
A Organização Mundial da Saúde confirmou também danos num armazém localizado no distrito de Boryspil, onde estavam guardados produtos médicos destinados à ajuda humanitária.
O acesso às instalações esteve condicionado devido ao fumo intenso e às condições de segurança, dificultando a avaliação inicial das perdas. A OMS esclareceu, contudo, que tinha reduzido previamente a quantidade de material mantida no armazém devido ao risco associado à situação de segurança na região.
Nenhum trabalhador da organização ficou ferido. Permanece por esclarecer se os armazéns utilizados pela Teva e pela OMS integravam o complexo da Biocon ou se correspondiam a instalações distintas atingidas durante a mesma vaga de ataques.
Infraestruturas logísticas debaixo de fogo
O ataque ocorre num contexto de intensificação das ofensivas contra armazéns, terminais de distribuição e outras infraestruturas logísticas ucranianas.
Nos dias anteriores, ataques russos tinham atingido centros de triagem da Nova Poshta, armazéns das cadeias de distribuição Varus e Auchan e outras instalações na região de Kiev e em diferentes pontos do país. Algumas empresas alertaram para potenciais atrasos nas entregas e indisponibilidades temporárias de produtos.
A cadeia de abastecimento farmacêutica tem sido particularmente afetada desde o início da invasão. Em 2025, ataques contra instalações da distribuidora Optima-Pharm destruíram armazéns e stocks significativos de medicamentos. Um desses ataques terá eliminado o equivalente a cerca de 20% das existências mensais de medicamentos do país, com prejuízos estimados em mais de 100 milhões de dólares.
A destruição ou interrupção destas infraestruturas não representa apenas uma perda física de produtos. Num país em guerra, coloca sob pressão a capacidade de armazenar medicamentos em condições controladas, manter a cadeia de frio, repor stocks e assegurar a distribuição regular a hospitais, farmácias e operações humanitárias.
FOTO: OMS Ucrânia


