A tecnologia está a tornar as operações mais rápidas, previsíveis e eficientes. Mas a capacidade das organizações e dos profissionais para a acompanhar evolui ao mesmo ritmo? Leonor Alvelos Alves, estudante de Gestão da Distribuição e da Logística na ESCE da Universidade Politécnica de Setúbal (UNIPS), reflete sobre o papel das pessoas numa supply chain cada vez mais tecnológica.
Facto: todos os dias, estamos perante uma logística mais inteligente.
Dúvida: estaremos também perante uma logística mais preparada?
A integração da inteligência artificial, da automatização, dos dados e da digitalização está a transformar profundamente a supply chain. Esta evolução torna as operações cada vez mais rápidas, previsíveis e eficientes. Surge-me, então, uma questão: será que a velocidade a que desenvolvemos e implementamos tecnologia está a ser acompanhada pela capacidade das organizações e dos seus profissionais para a adotar e dela retirar valor?
Por mais evoluídos que se tornem os sistemas, continuam a existir situações imprevisíveis: um problema no terreno, uma decisão que tem de ser tomada de imediato, uma informação que precisa de ser interpretada ou uma equipa que necessita de orientação.
Nestes casos, a tecnologia pode ajudar-nos a decidir, mas continua a ser necessário saber questioná-la, perceber quando devemos confiar nela e reconhecer os momentos em que a experiência humana deve prevalecer.
Por isso, não acredito que o desafio da transformação digital passe apenas pela implementação de novas ferramentas. Passa também pela preparação de quem as utiliza. Uma logística mais inteligente não é, por si só, uma logística mais preparada. Entre implementar uma tecnologia e conseguir retirar verdadeiramente valor dela, existe um processo de adaptação que nem sempre acompanha a velocidade da inovação.
Como estudante, esta questão leva-me a pensar no tipo de profissionais que estamos a preparar. Estamos, sem dúvida, a formar uma geração mais próxima da tecnologia, mas será que damos a mesma atenção ao desenvolvimento da capacidade de pensar, questionar, comunicar e adaptar?
À medida que a tecnologia assume um número crescente de tarefas, estas competências tornam-se ainda mais importantes. O profissional do futuro não será apenas aquele que sabe utilizar a tecnologia, mas aquele que sabe quando, como e por que razão deve utilizá-la.
Ao conhecer diferentes realidades da gestão logística, tenho percebido que a tecnologia não diminui a importância das pessoas. Muda, sim, aquilo que esperamos delas.
Talvez seja esse o verdadeiro desafio da logística do futuro: não ensinar as pessoas a seguir a tecnologia, mas prepará-las para trabalhar com ela e, em conjunto, fazerem aquilo que nenhuma conseguiria fazer sozinha.
Leonor Alvelos Alves, estudante de Gestão da Distribuição e da Logística | ESCE-UNIPS


