Num contexto em que o tempo pesa cada vez mais na criação de valor, procurar sempre a solução ótima pode tornar-se um obstáculo à própria decisão. Neste artigo, Juliana José reflete sobre um lado menos óbvio do Procurement: a capacidade de ajustar o nível de análise à importância de cada escolha e reconhecer que, muitas vezes, uma boa decisão tomada no momento certo vale mais do que uma decisão perfeita que chega tarde demais.
Existe uma tendência natural e quase intuitiva no Procurement: procurar a melhor decisão possível. A solução ótima. A escolha perfeita. O equilíbrio ideal entre custo, qualidade, risco e prazo.
Mas essa procura tem um custo, que nem sempre é visível. Tempo. Análise. Atraso.
Na prática, nem todas as decisões exigem esse nível de otimização. Algumas exigem apenas algo mais simples e, paradoxalmente, mais difícil: serem suficientemente boas, no momento certo.
Ao longo da minha experiência, vi decisões tecnicamente irrepreensíveis chegarem tarde demais e vi decisões simples, imperfeitas, gerarem mais valor precisamente porque foram tomadas a tempo.
O contexto atual — volátil, exigente e rápido — não favorece o perfeccionismo. Favorece a capacidade de adaptação.
Decidir implica aceitar imperfeição. Implica reconhecer que nem todas as variáveis são controláveis. E que, muitas vezes, o impacto do tempo supera o impacto da otimização. Isto não significa abdicar de rigor. Significa ajustar o nível de exigência ao contexto da decisão.
Nem todas as decisões são estratégicas. Nem todas justificam o mesmo nível de análise. Nem todas devem seguir o mesmo processo mental.
Com o tempo, a esse respeito, passei a ver o Procurement de forma diferente. Não como uma função que procura sempre a melhor decisão possível, mas como uma função que procura a melhor decisão possível dentro do tempo disponível.
Defendo que uma decisão perfeita tomada tarde, pode ter menos valor do que uma boa decisão tomada no momento certo.
Juliana José, Especialista de Compras


