As exportações portuguesas de frutas, legumes, plantas ornamentais e flores recuaram 3,5% em valor, e 5,9% em volume, no primeiro semestre de 2026, face ao período homólogo. Já as importações aumentaram 4,2% em valor e 2,8% em quantidade, agravando o défice comercial do setor.
De acordo com a Portugal Fresh, as vendas para os mercados externos somaram 1226 milhões de euros entre janeiro e junho de 2026. O volume de exportações totalizou 747.000 toneladas. A partir de dados do Instituto Nacional de Estatística, a associação adianta que a balança comercial do setor das frutas, legumes e flores se agravou, ultrapassando os 300 milhões de euros de défice – mais do que os 197 milhões de euros registados no período homólogo de 2025 e quase o dobro do défice de 2024 (178 milhões de euros).
A associação sustenta, em comunicado, que o motivo deste decréscimo está relacionado com os graves prejuízos causados pela sequência de tempestades que assolaram o país e resultaram em culturas destruídas, estufas danificadas e sistemas de rega inutilizados.
“Os números do primeiro semestre já eram esperados, uma vez que resultam, sobretudo, do impacto das tempestades que atingiram o país no início do ano e, naturalmente, de avultados prejuízos para os produtores tendo em conta as ajudas mínimas por parte da União Europeia e do Governo. Preocupante é também o agravamento da balança comercial, que ultrapassou os 300 milhões de euros. No entanto, acreditamos que é possível atingir novamente 2,6 mil milhões de exportações registadas em 2025 até final do ano”, afirma Gonçalo Santos Andrade, presidente da Portugal Fresh.
O porta-voz antecipa que 2026 se confirme como “um ano muito desafiante para os produtores e exportadores do setor agroalimentar nacional”, também devido à falta de apoio, sobretudo, quando comparado com o principal mercado concorrente – Espanha –, que recebeu apoios aos fertilizantes e gasóleo agrícola para colmatar o impacto da guerra do Médio Oriente.
“O nosso principal destino de exportação é Espanha que, dos 1,2 mil milhões exportados no 1.º semestre, pesa 37% do total (446 milhões de euros). Espanha é também o nosso principal abastecedor de frutas, legumes e flores: comprámos o equivalente a 870 milhões de euros, que representam 57% das importações (totalizam 1,5 mil milhões de euros). Contas feitas, a balança comercial com o nosso principal cliente internacional é negativa em mais de 400 milhões de euros. Se já é desafiante competir no palco global, no mercado Ibérico está a ficar praticamente impossível. Concorremos com ferramentas financeiras muito diferentes dos produtores espanhóis e os nossos custos também cresceram muito devido à guerra do Médio Oriente. A diferença de apoios ao setor é abismal”, conclui.


