Conflito no Médio Oriente e subida dos preços da energia levam a Crédito y Caución a rever em baixa o crescimento global dos transportes e logística para 2026. Transporte aéreo é o mais afetado com escalada dos custos energéticos.
O agravamento do conflito no Médio Oriente e a consequente subida dos preços da energia estão a penalizar as perspetivas de crescimento do setor dos transportes e logística em 2026. A conclusão é de um novo relatório da Crédito y Caución, que reviu em baixa a previsão de crescimento global da atividade, de 3,4% para 2,5%, refletindo um contexto marcado por menor procura, custos operacionais mais elevados e persistente incerteza geopolítica.
Segundo a seguradora de crédito, o setor enfrenta uma combinação de fatores adversos. Por um lado, o aumento dos preços da energia está a reduzir o poder de compra das famílias e a deteriorar a confiança dos consumidores. Por outro, a política monetária restritiva, impulsionada pela inflação, mantém elevados os custos de financiamento e condiciona o investimento empresarial, reduzindo a procura por transporte de mercadorias e passageiros.
O transporte aéreo é o subsetor mais penalizado por este enquadramento. A previsão de crescimento para 2026 foi revista de 4,3% para apenas 1,4%, refletindo sobretudo o impacto da guerra no Golfo e da forte subida do preço do combustível de aviação. A Crédito y Caución estima ainda que o fluxo de passageiros no Médio Oriente recue 38% este ano, interrompendo uma trajetória de forte expansão registada nos últimos anos, quer nas viagens de entrada na região, quer nas ligações aéreas entre a Ásia e a Europa.
Apesar de considerar que o conflito entrou numa fase de desanuviamento frágil, o relatório alerta que a recuperação da atividade dependerá da normalização do tráfego no Estreito de Ormuz. Mesmo com a reabertura da via marítima, a retoma deverá ser gradual, condicionada pela confiança dos operadores, das seguradoras e dos armadores, enquanto os mercados petrolíferos deverão continuar sujeitos a elevada volatilidade.
Europa cresce menos e Alemanha continua a perder terreno
Na Europa, a atividade do setor deverá crescer apenas 0,8% em 2026, depois de um aumento de 1,5% no ano anterior. A recuperação industrial continua lenta e os elevados custos energéticos continuam a pressionar o consumo e o investimento. As exportações deverão manter-se praticamente estagnadas, penalizadas pelo impacto das tarifas norte-americanas, pela crescente concorrência das exportações chinesas e pela perda de quota da Europa no comércio mundial.
O relatório identifica ainda desempenhos muito distintos entre os principais mercados europeus. Alemanha e França deverão registar contrações na produção do setor, enquanto Espanha e Grécia surgem como os mercados mais resilientes, beneficiando do dinamismo do turismo e do crescimento dos serviços.
Neste contexto, as empresas de transporte e logística procurarão repercutir parte do aumento dos custos dos combustíveis nos preços dos seus serviços. No entanto, a seguradora considera que essa capacidade será limitada por um ambiente macroeconómico pouco dinâmico e por uma procura enfraquecida.
Mercados emergentes sustentam perspetivas de longo prazo
Apesar das dificuldades de curto prazo, o relatório mantém uma perspetiva positiva para o crescimento estrutural do setor. Os mercados emergentes da Ásia-Pacífico, África e América do Sul deverão continuar a impulsionar a atividade global, com destaque para China e Índia, que prosseguem investimentos significativos em infraestruturas logísticas e redes de transporte.
A mesma fonte antecipa também um aumento da procura por infraestruturas de armazenagem, à medida que as empresas reforçam os níveis de stock para aumentar a resiliência das cadeias de abastecimento. Paralelamente, o crescimento do comércio eletrónico e a necessidade de entregas rápidas deverão continuar a sustentar a procura por serviços de carga aérea, armazenagem e distribuição especializada.


