A Renault Group tornou-se a única acionista da Flexis S.A.S., a joint venture de vans elétricas que partilhava com a Volvo Group e com a transportadora marítima CMA-CGM. O acordo, anunciado em fevereiro, recebeu agora as aprovações regulatórias necessárias e ficou formalmente concluído, confirmou a Volvo Group esta quarta-feira.

Ao abrigo do negócio, a Renault compra os 45% que a Volvo detinha na Flexis, bem como os 10% pertencentes à CMA-CGM, passando a controlar a totalidade da empresa. A Volvo Group mantém-se, no entanto, ligada ao projeto: através da Renault Trucks, vai distribuir os veículos desenvolvidos pela Flexis a partir de 2027. A operação não tem impacto material nos resultados da Volvo Group.

A Flexis foi lançada oficialmente em 2024, com a Renault e a Volvo a deterem cada uma 45% do capital e a CMA-CGM os restantes 10%, através do seu fundo de investimento em energia Pulse. A fábrica de Sandouville, em França, especializada em veículos comerciais ligeiros desde 2014, foi escolhida para produzir a nova gama de vans 100% elétricas, construídas sobre uma plataforma modular do tipo “skateboard” com arquitetura SDV (Software Defined Vehicle, ou veículo definido por software), que permite atualizações e monitorização remota ao longo do ciclo de vida do veículo.

Quando a Flexis foi criada em outubro de 2023, o acordo refletia uma partilha de risco num mercado de vans elétricas então promissor mas ainda incerto; menos de três anos depois, esse cálculo mudou, num contexto de pressão crescente sobre os fabricantes europeus para localizar cadeias de abastecimento face à concorrência dos construtores chineses de elétricos. O acordo de venda das participações da Volvo e da CMA-CGM à Renault tinha sido assinado em fevereiro, ainda sujeito a aprovação antitrust, coincidindo com a saída do CEO Philippe Divry e a sua substituição por Krishnan Sundararajan, até então COO da empresa.

Do lado do produto, a mudança de acionistas não altera os planos: o primeiro modelo, a Renault Trafic Van E-Tech elétrica, mantém a produção prevista para o final de 2026 na fábrica de Sandouville. Para a Volvo Group e para a CMA-CGM, a saída do capital surge mais como uma reorganização de prioridades do que como um afastamento do segmento elétrico. A Volvo continua como parceira comercial e distribuidora e a CMA-CGM mantém o interesse na descarbonização da cadeia logística através de outras iniciativas, nomeadamente no transporte marítimo.