O mercado transitário deverá abrandar em 2026, crescendo apenas 2,5%, para 213,4 mil milhões de euros, em contraste com os 208,1 mil milhões de euros do ano passado, fruto de um crescimento de 4,4%. Os dados são da consultora britânica Transport Intelligence.

A desaceleração estende-se aos vários modos de transporte. No marítimo, o crescimento deverá situar-se nos 2,6%, uma quebra face aos 4,6% de 2025. Em valor, deverá situar-se nos 113.347 milhões de euros.

A consultora atribui a desaceleração aos desafios estruturais de excesso de capacidade no transporte marítimo, embora o conflito no Médio Oriente tenha introduzido novas complexidades que compensam alguma pressão para baixar os preços.

O relatório aponta precisamente que, no primeiro trimestre de 2026, a logística marítima foi afetada pelas interrupções de navegação naquela região, sustentando que 2026 será um ano de realidades muito distintas consoante o modo de transporte, a geografia e a rota.

Nos próximos anos, e tendo 2030 como horizonte, estima-se que o transporte marítimo supere o aéreo, com um crescimento anual composto de 2,9% (contra 1,6% do aéreo), graças à aceleração do investimento em plataformas digitais, em rotas eficientes em emissões de carbono e na logística de comércio eletrónico transfronteiriço.

Em 2025, o crescimento do negócio transitário deveu-se, sobretudo, ao aumento do transporte marítimo, impulsionado pela expansão do comércio internacional, pela procura de soluções de transporte intermodal integradas e pelo aumento do comércio eletrónico.

Quanto ao crescimento do transporte aéreo de mercadorias deverá desacelerar este ano 2,5% em termos reais, na medida em que o setor enfrenta um cenário de instabilidade política, entre outros fatores. Mas, em 2025, o setor transitário no transporte aéreo de carga apresentou um bom desempenho, impulsionado pela conversão de envios marítimos em aéreos, devido à diminuição da diferença de preços.

Perspetivando 2030, a consultora dá conta de alguns desenvolvimentos do mercado que podem influenciar os transitários. É o caso da fusão entre a DSV e a Schenker, que esta a aumentar a pressão sobre as margens. E é o caso também das persistentes perturbações geopolíticas que reconfiguram os fluxos comerciais globais e obrigam os transitários a investir na resiliência das suas redes. Também a transferência da produção da China para centros emergentes como o Vietname, a Índia, a Indonésia e o México está a gerar novas dinâmicas comerciais.

Neste panorama, o relatório antecipa que o mercado global de transitários alcance os 233 mil milhões de euros em 2030, com um crescimento anual composto de 2,3%.