A edição 74 da Supply Chain Magazine olha para uma supply chain mais exposta, mais pressionada e mais determinante para o desempenho das empresas. Do e-commerce aos transportes, do procurement à intralogística, da tecnologia à sustentabilidade, este número mostra como a capacidade de decidir e executar em contexto de incerteza se tornou no “novo” business as usual das cadeias de abastecimento. Num tempo em que a estratégia é testada todos os dias no terreno, é a operação que revela quem está preparado para continuar.
A edição 74 da Supply Chain Magazine parte de uma constatação que atravessa as várias secções deste número: a supply chain deixou de ser uma função de bastidor para ocupar um lugar cada vez mais central na estratégia das organizações. Num contexto marcado por volatilidade geopolítica, pressão regulatória, transição energética, transformação tecnológica e novas exigências dos clientes, já não basta planear bem. É preciso conseguir executar, ajustar e decidir quando as condições mudam.
É esse o fio condutor desta edição. No e-commerce, a peça baseada na 1.ª vaga do Barómetro e-Commerce dos CTT mostra um canal online ainda em crescimento, mas com a pressão a deslocar-se para a operação. A competitividade do retalho online já não depende apenas da capacidade de vender pela internet, mas da robustez da logística pós-clique: entregas, previsibilidade, devoluções, soluções out of home e experiência do cliente.
Na área da logística, a entrevista à Robalo S.A. mostra como a operação pode ser um fator de vantagem competitiva. Num grupo com diferentes marcas, canais e necessidades, a empresa gere distribuição nacional e ibérica, comércio grossista, canal Horeca, e-commerce, produtos frágeis e um portefólio com mais de 30 mil artigos em stock. Disponibilidade, rapidez, consistência, visibilidade e conhecimento operacional surgem aqui como elementos decisivos para diferenciar o serviço.
A SCM Conference 2026 ocupa também um lugar central nesta edição. Sob o mote “Entre o Caos e o Controlo: a Nova Supply Chain”, a conferência reuniu profissionais, líderes e especialistas para discutir como decidir, liderar e manter o rumo num tempo de disrupções encadeadas. A cobertura do evento passa por temas como a entrada da supply chain na agenda dos CEO, a tensão entre planeamento e flexibilidade, a reorganização do comércio global, o papel do procurement na gestão de risco, a tecnologia como aliada estratégica e os limites da colaboração entre parceiros.
No procurement, a edição abre diferentes frentes de análise. O artigo sobre compras públicas de inovação olha para o desafio de capacitar a Administração Pública para deixar de ser apenas compradora reativa e passar a atuar também como motor de inovação. Já a entrevista a Claudia Paiva, diretora Global de Qualidade de Compras da divisão Home Comfort da Bosch, coloca Portugal no centro de uma operação global de qualidade de fornecedores, com mais de cinco mil fornecedores e 24 fábricas em todo o mundo.
Na intralogística, a edição acompanha a discussão em torno dos robôs humanoides e do seu potencial para responder à escassez de força laboral e à necessidade de maior flexibilidade operacional. Mas a análise vai além da promessa tecnológica: a questão está em perceber onde a automação acrescenta valor, em que condições pode escalar e que mudanças exige nos processos, nas equipas e na gestão.
A tecnologia surge ainda noutra perspetiva, com a peça dedicada ao papel do software na operação dos bancos alimentares. O artigo mostra como as soluções digitais podem ganhar uma dimensão de responsabilidade social quando ajudam a coordenar redes complexas, otimizar recursos limitados e dar maior capacidade de resposta a missões com impacto direto na comunidade.
A sustentabilidade é tratada a partir da operação, com o caso da Nike e dos equipamentos de elite produzidos com recurso a resíduos têxteis. O interesse do artigo está no facto de a circularidade entrar num território exigente, onde os materiais reciclados têm de responder a critérios de leveza, resistência, conforto, respirabilidade e desempenho. A sustentabilidade, aqui, só se confirma quando consegue cumprir requisitos técnicos e operacionais.
O dossier Transportes & Mobilidade aprofunda uma das áreas onde a tensão entre ambição e realidade é mais evidente. Transição energética, intermodalidade, pressão sobre custos, emissões, capacidade e nível de serviço mostram que mover mercadorias deixou de ser apenas escolher uma rota e negociar um preço. É gerir sistemas cada vez mais complexos, num país onde a ambição intermodal convive com uma realidade empresarial ainda muito dependente da estrada e do transporte marítimo.
A edição inclui ainda o ponto de vista “Portugal 2030: o cemitério de contentores (se continuarmos assim)”, que deixa uma provocação sobre o futuro da competitividade portuária. A tese é clara: o próximo grande porto não será definido apenas por betão, cais ou dragagens, mas por dados, integração, sistemas e capacidade de decisão em tempo real.
No conjunto, a SCM #74 mostra uma supply chain menos escondida e muito mais determinante. Como continuar a decidir quando a estabilidade deixou de ser o ponto de partida? É só seguir o link abaixo para encontrar algumas possíveis respostas.
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