A transformação do setor automóvel europeu está a avançar a um ritmo inferior ao previso e começa a ameaçar a rentabilidade da cadeia de abastecimento. A denúncia foi feita pelo secretário-geral da CLEPA, a associação europeia dos fornecedores de componentes automóveis.
Ao intervir no XIII Encontro da Sernauto, em Madrid, Benjamin Krieger citou um estudo da McKinsey que indica que um em cada quatro fornecedores europeus do setor deverá sofrer prejuízos em 2026. Cerca de 76% das empresas espera margens inferiores a 5%, limite considerado mínimo para apoiar investimentos a longo prazo em inovação e capacidade industrial.
A propósito da pressão sobre o setor, Krieger sublinhou que parte se deve ao avanço industrial da China, cuja aposta nos veículos elétricos se processa a um ritmo muito superior ao europeu.
Advertiu, assim, que a transição para a eletrificação não está a justificar o investimento dos fabricantes europeus de componentes.
Neste contexto, deixou a nota de que o motor a combustão continuará a ter um peso relevante na próxima década: em 2030, apenas 35% dos veículos que se produzirão a nível global serão elétricos, de um total de 95,5 milhões de unidades. Destes, 30% continuarão a ter motorização convencional e 35% serão híbridos.
Alertou, ainda, para a quebra de produção e o seu consequente impacto no mercado dos fornecedores: em 2017, fabricaram-se, em todo o mundo, 95 milhões de carros de passageiros e carrinhas, sendo que, este ano, as estimativas apontam para 89,6 milhões.
Neste cenário, o secretário-geral da CLEPA reclamou que a regulação europeia permita manter abertas todas as tecnologias capazes de reduzir emissões, sem impor uma única via. E defendeu a adoção de políticas que evitem situações de concorrência ilegal e reforcem a autonomia industrial europeia.


