A IATA registou quase 38 mil erros de carregamento em operações globais de assistência em terra, em 2025, num ano em que foram também reportados mais de 29 mil eventos de dano em aeronaves. Os dados foram avançados por Monika Mejstrikova, diretora de Operações de Terra da International Air Transport Association, durante a 38.ª IATA Ground Handling Conference, que decorreu no Cairo, e colocam a digitalização, a modernização dos equipamentos de apoio em terra e a aplicação consistente de standards globais no centro da resposta do setor.

Apesar dos números, a associação sublinha que 2025 terminou sem acidentes fatais em operações de ground handling e com apenas uma lesão grave registada, num universo próximo dos 40 milhões de voos. Para a IATA, este desempenho demonstra a disciplina operacional do setor, mas não elimina a necessidade de atuar sobre áreas onde continuam a existir riscos, custos e ineficiências.

“Estes não são apenas números. Cada um representa um momento em que algo não correu como previsto”, afirmou Monika Mejstrikova, citada pela IATA. A responsável identificou três áreas com maior potencial de melhoria e que passam por uma aplicação mais robusta dos standards globais, a modernização das frotas de GSE (ground support equipment) e a digitalização dos processos.

No caso da carga aérea, o tema ganha particular relevância. Os erros de carregamento não são apenas uma questão operacional ou administrativa; podem afetar dados de peso e balanceamento, planeamento da aeronave, cumprimento regulatório e eficiência do turnaround. Num segmento em que as unidades de carga são mais pesadas e variadas, as tolerâncias operacionais mais apertadas e as cadeias documentais mais complexas, a falta de visibilidade ou a dependência de processos manuais pode ter um  impacto desproporcionado.

Segundo a IATA, demasiados processos de assistência em terra continuam ainda assentes em sistemas desconectados, introdução manual de dados e informação que chega tarde. “Quando a visibilidade é reduzida, os erros acontecem. A bagagem é extraviada. As aeronaves são carregadas incorretamente. Os riscos são identificados demasiado tarde”, referiu Mejstrikova, defendendo que a digitalização deve permitir melhores decisões, mais rápidas e com maior precisão operacional.

Entre as áreas destacadas pela associação está o carregamento de aeronaves, onde o standard de dados X565 surge como uma das respostas em desenvolvimento. Este standard pretende modernizar a forma como a informação de carregamento, peso e balanceamento é partilhada ao longo da cadeia de turnaround, substituindo processos manuais por fluxos digitais normalizados, mais rápidos e mais fiáveis.

A IATA refere que companhias aéreas que utilizam sistemas digitais de load control reportam reduções superiores a 90% nos erros de carregamento, além de menos atrasos. A adoção do X565 está também a ganhar tração junto dos fabricantes: a Boeing está a apoiar a sua utilização na família 737, enquanto a Airbus tem vindo a fazer progressos nas famílias A320, A330 e A350, incluindo futuras variantes cargueiras.

A modernização dos equipamentos de apoio em terra é outro eixo apontado pela associação. Em 2025, foram reportados mais de 29 mil eventos de dano em aeronaves durante operações em terra, um risco persistente tanto do ponto de vista operacional como financeiro.

A associação destaca ainda a importância de uma implementação mais consistente dos standards globais, nomeadamente o IATA Ground Operations Manual e o Airport Handling Manual, bem como o reforço dos programas de auditoria, como o IATA Safety Audit for Ground Operations. Em 2025, foram realizadas quase 300 auditorias no âmbito do modelo revisto do ISAGO, que apoia mais de 230 prestadores de serviços de assistência em terra em 441 estações acreditadas.

Para esta responsável há um objetivo comum a todas estas áreas: aumentar a visibilidade, reduzir erros e permitir decisões mais rápidas. “É isso que a digitalização tem de entregar”, concluiu.