Foi na última SCM Conference que o especialista em Procurement Paulo Simão colheu inspiração para esta reflexão sobre o Procurement e a liderança. Um artigo em que parte do espaço para as empresas, para concluir: “Como gestores de organizações temos de liderar os “futuros possíveis”.
“Após 20 dias de uma nova condição, de “ex-diretor”, tempo não me falta para pensar muitas “coisas” e uma delas tem sido o meu sonho de criança… qual foi efetivamente o meu sonho de criança??
Dou por mim cada vez mais seguro de que queria ser astronauta… (nada de novo!!) ou engenheiro espacial… algo assim…
E porquê? Porque ainda guardo registos dos jornais da época onde se falava de OVNIS, livros que comprei sobre o tema do espaço, não perdia um episódio do Espaço 1999 (as naves Águia!!!) e posteriormente do Caminho das Estrelas.
Acompanhei recentemente o programa Artemis, deslumbrado com tamanha complexidade e todos os pormenores daquela viagem! Simplesmente fantástico!
Impulsionado pela última Supply Chain Maganize Conference, onde foi abordado que o Procurement é como uma corrida de Fórmula 1, pensei… e se o Procurement fosse uma viagem espacial? Existem pontos de contato? Quais?
Após uma pesquisa identifiquei que o Procurement pode ser mesmo não um programa espacial, mas um modelo de liderança para o século XXI.
Artemis é a maior demonstração contemporânea de como visão, governança, inovação e colaboração podem mover não apenas uma organização, mas uma civilização inteira. E, surpreendentemente, é também o melhor espelho do que o Procurement moderno se tornou: um sistema estratégico capaz de acelerar, proteger e transformar o negócio.
Artemis não nasceu de uma necessidade operacional. Nasceu de uma visão: a visão de que a humanidade precisa de voltar à Lua para aprender a viver noutros mundos.
Assim, as organizações não podem mais gerir os trimestres, mas desenhar a década.
O Procurement moderno é um dos instrumentos mais poderosos para isso porque:
- cria resiliência;
- cria vantagem competitiva;
- cria sustentabilidade;
- cria capacidade de execução.
As organizações que tratam o Procurement como função tática perdem o futuro. As que o tratam como sistema estratégico moldam-no.
Reparem que o projeto Artemis coordena mais de 2.700 fornecedores. É um ecossistema global, interdependente, sensível a falhas, mas capaz de feitos extraordinários.
Temos de lidar com:
- cadeias globais voláteis;
- riscos geopolíticos;
- dependências tecnológicas;
- pressão regulatória;
- expectativas ESG crescentes.
A complexidade deixou de ser exceção. É o novo normal.
As organizações que prosperam são aquelas que entendem que complexidade não se combate – orquestra-se.
Artemis não usa tecnologia existente. Cria tecnologia nova. Cria padrões novos. Cria indústrias novas.
O Procurement moderno vive o mesmo paradigma:
- IA para previsão;
- automação para velocidade;
- blockchain para confiança;
- digital twins para antecipação.
Mas, nada disto acontece sem liderança. Quem lidera deve dizer “Vamos primeiro. Vamos diferente. Vamos melhor.”
Inovar não é opcional. É a única forma de sobreviver.
Nenhuma missão espacial falha por falta de sonho. Falha por falta de governança.
Artemis ensina-nos que governança não é controlo. É clareza estratégica. É disciplina executiva. É responsabilidade partilhada.
As organizações precisam de criar sistemas onde:
- decisões são rápidas;
- riscos são visíveis;
- equipas são autónomas;
- e accountability é inegociável.
Governança não trava ambição. Permite-a.
Artemis não é sobre hoje. É sobre as próximas décadas. Sobre a economia espacial. Sobre a próxima geração de engenheiros, cientistas, fornecedores e líderes.
O Procurement moderno também deixou de ser transacional. É estrutural. É sistémico. É um dos maiores motores de impacto ambiental, social e económico de qualquer organização.
As organizações e os lideres modernos não são avaliados pelo que entregam no trimestre. São avaliados pelo mundo que deixam para trás.
Quando olhamos para Artemis, vemos foguetes. Mas, quando olhamos como líderes, vemos algo maior: um sistema que só existe porque alguém teve coragem de decidir, de priorizar, de investir, de insistir.
É isso que define liderança ao mais alto nível: a capacidade de transformar visão em realidade, complexidade em capacidade, risco em estratégia, e fornecedores em ecossistemas.
Artemis leva-nos de volta à Lua. Mas nós – os verdadeiros – levamos as organizações a lugares onde nunca estiveram.
Porque liderar não é gerir o presente. É construir o futuro.”
Paulo Simão, especialista em Procurement


