Portugal subiu à 8.ª posição entre os maiores exportadores mundiais de vinho em 2025, segundo o IVV, num ano em que o comércio internacional recuou em volume e valor.

Portugal ascendeu à 8.ª posição entre os maiores exportadores mundiais de vinho em 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto da Vinha e do Vinho, com base em informação do UN Comtrade e do International Trade Centre. A subida confirma a consistência da exportação nacional na última década e acontece num ano particularmente exigente para o comércio internacional de vinho, marcado por quebras em volume e em valor.

De acordo com o Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), Portugal ocupava em 2016 a 10.ª posição no ranking dos maiores exportadores mundiais de vinho e chegou a 2025 no 8.º lugar, beneficiando de uma evolução mais favorável do que a registada por alguns concorrentes diretos. A análise do IVV mostra que o país encurtou distância face a mercados como a Nova Zelândia e a Alemanha e distanciou-se de países como a Argentina, num ranking que continua a ser liderado por França, Itália e Espanha.

A evolução ganha maior relevância por ocorrer num contexto global desfavorável. Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), as exportações mundiais de vinho recuaram 4,7% em volume em 2025, para 94,8 milhões de hectolitros, e caíram 6,7% em valor, para 33,8 mil milhões de euros. A organização atribui esta evolução a um conjunto de fatores, entre os quais a pressão sobre o consumo, as tensões comerciais, os efeitos climáticos na produção e a alteração dos padrões de compra em vários mercados.

Neste cenário, Portugal foi uma das exceções entre os principais exportadores mundiais. De acordo com a OIV, as exportações portuguesas de vinho cresceram 1,1% em volume em 2025, atingindo 3,4 milhões de hectolitros, enquanto o valor exportado recuou 1,0%, para cerca de mil milhões de euros. A organização sublinha que todos os segmentos registaram crescimento em volume, com destaque para o vinho a granel, embora a ligeira descida em valor tenha sido explicada sobretudo pelo desempenho do vinho engarrafado, que continua a representar 89% do valor das exportações nacionais.

Os dados nacionais confirmam esta leitura. Segundo o IVV, as exportações portuguesas de vinho totalizaram 341 milhões de litros em 2025, num valor de 954 milhões de euros, com um preço médio de 2,80 euros por litro. A ViniPortugal aponta valores praticamente coincidentes, indicando 953,5 milhões de euros exportados, 340,6 milhões de litros e uma variação positiva de 1,08% em volume, mas negativa de 1,09% em valor.

A leitura dos números mostra, assim, duas realidades em simultâneo. Por um lado, Portugal reforça a sua posição relativa no comércio internacional de vinho e demonstra capacidade para ganhar escala num mercado global em retração. Por outro, a descida do valor exportado e do preço médio evidencia que o crescimento em volume não elimina o desafio da valorização. Exportar mais litros não significa, por si só, capturar mais valor.

Na comparação feita pelo IVV com os restantes países exportadores, Portugal surge ainda como um dos mercados com evolução positiva face a 2016, mas longe dos ritmos registados por países como França, Itália ou Espanha, que mantêm uma escala internacional muito superior. França continua destacada na liderança em valor, seguida por Itália e Espanha, enquanto Austrália, Chile, Nova Zelândia e Alemanha antecedem Portugal no top 10 mundial.

Ainda assim, a subida portuguesa no ranking confirma a relevância crescente do vinho nacional nos fluxos internacionais. Num setor particularmente exposto à pressão sobre preços, à volatilidade da procura e à competição entre origens, o desempenho de 2025 mostra uma cadeia exportadora com capacidade de resistência. O próximo desafio estará menos em provar que Portugal consegue vender vinho lá fora e mais em reforçar o valor associado a cada litro exportado.

INFOGRAFIA: Dados IVV