O Lufthansa Group está a avançar com uma plataforma de análise de compras e emissões que integra dados dispersos por múltiplos sistemas empresariais, com o objetivo de ganhar maior visibilidade sobre o gasto, apoiar negociações com fornecedores e reforçar a transparência em torno das emissões Scope 3. A solução, desenvolvida com a SAP e a McKinsey, começou por ser implementada na Lufthansa Technik e está agora em expansão no grupo.

O Lufthansa Group está a usar dados integrados de procurement para ganhar maior controlo sobre custos, compras e pegada carbónica numa organização historicamente marcada pela dispersão de informação entre diferentes sistemas. Segundo um caso de estudo publicado pela McKinsey, a companhia aérea alemã trabalhava, até 2022, com dados distribuídos por 14 aplicações ERP separadas, o que limitava a visibilidade do spend a um nível mais agregado e dificultava a identificação de oportunidades mais finas de poupança e otimização.

Para responder a esse problema, o grupo avançou com a integração da solução Spendscape, da McKinsey, com a SAP Business Technology Platform. O objetivo foi criar uma visão consolidada do procurement, combinando dados de diferentes origens numa única base harmonizada e mais útil para decisão. De acordo com a McKinsey, o projeto permitiu reunir mais de 20 sistemas de dados numa só vista e introduzir informação quase em tempo real para gestão de tesouraria.

A primeira implementação foi feita na Lufthansa Technik, unidade do grupo dedicada à manutenção e reparação de aeronaves. A partir daí, a plataforma passou a servir como base para aumentar a transparência do spend, simplificar a integração de dados e suportar negociações com fornecedores com maior detalhe analítico. A ambição declarada pelo grupo é construir uma plataforma abrangente de spend analytics, integrada na sua arquitetura tecnológica futura.

O alcance do projeto, porém, vai além da componente estritamente financeira. A plataforma cruza dados de procurement com informação de sustentabilidade e reporting de CO2, permitindo ao Lufthansa Group uma leitura mais precisa das emissões associadas à cadeia de abastecimento, nomeadamente das emissões Scope 3 a montante. Segundo o caso de estudo, isso torna possível descer a análise até ao nível de consumo e fatura, melhorando a qualidade da informação e a colaboração com fornecedores.

Este reforço de transparência ganha especial relevância no contexto europeu de reporte de sustentabilidade. A Comissão Europeia indica que o primeiro grupo de empresas abrangidas pela Corporate Sustainability Reporting Directive tem de aplicar as novas regras ao exercício financeiro de 2024, com reporte publicado em 2025. Num esclarecimento posterior, a própria Comissão recorda ainda que a diretiva entrou em vigor a 5 de janeiro de 2023.

No caso da Lufthansa, a promessa central do projeto não está tanto numa poupança já quantificada publicamente, mas antes na capacidade de tomar decisões de compras com mais contexto: custos externos, volatilidade de preços, risco e emissões. Em vez de olhar apenas para o preço, o grupo procura passar a decidir com uma visão mais completa sobre o impacto financeiro e ambiental das suas escolhas de sourcing.

Num momento em que procurement deixou de ser apenas uma função de controlo de despesa para passar também a responder por resiliência, conformidade e descarbonização, a qualidade da decisão depende cada vez mais da qualidade da base de dados que a sustenta. E é nesse terreno que a Lufthansa está a tentar ganhar vantagem: menos silos, mais capilaridade e uma visão mais clara do que compra, a quem compra e com que impacto.