O setor da indústria alimentar e das bebidas exportou 1.964 milhões de euros no primeiro trimestre, num crescimento homólogo de 2,03%. Março deu um impulso mais expressivo, com uma subida de 10,98%, enquanto a FIPA pede reforço dos instrumentos de apoio à internacionalização.

A indústria alimentar e das bebidas arrancou 2026 em terreno positivo, com as exportações a crescerem 2,03% no primeiro trimestre face ao mesmo período do ano passado, para 1.964 milhões de euros. A evolução ganha ainda mais expressão quando se olha apenas para março: nesse mês, as vendas ao exterior subiram 10,98% em termos homólogos, segundo dados do INE.

A União Europeia manteve-se como principal destino das exportações nacionais do setor, concentrando 1.350 milhões de euros entre janeiro e março. Entre os mercados comunitários com melhor desempenho destacaram-se a Bulgária, com um crescimento de 35,1%, a Irlanda, com mais 27,6%, e os Países Baixos, com uma subida de 13,7%.

Fora do espaço europeu, os mercados extracomunitários representaram 614 milhões de euros no primeiro trimestre, o que corresponde a um aumento de 2,48% face ao mesmo período de 2025. Entre os destinos que mais contribuíram para esta evolução surgem São Tomé e Príncipe, com um crescimento de 24,3%, Cabo Verde, com mais 18%, e o Brasil, que avançou 16,4%.

Apesar do desempenho global positivo, nem todos os mercados acompanharam esta tendência. As exportações para Marrocos recuaram 21%, enquanto Angola registou uma quebra de 4,9%. Já os Estados Unidos apresentaram uma descida de 17,4%, num sinal de que a diversificação geográfica continua a ser um dos pontos sensíveis para a afirmação externa do setor.

Num contexto ainda marcado por tensões económicas, exigência acrescida nos mercados e pressão sobre as cadeias de abastecimento, os números apontam para uma indústria com capacidade para manter trajetória de crescimento e reforçar o seu peso no perfil exportador da economia portuguesa.

Citado na informação divulgada pela associação, o presidente da FIPA, Jorge Henriques, considera que o setor continuará a encontrar oportunidades de crescimento, mas defende uma consolidação dos instrumentos colocados à disposição das empresas para sustentar esse esforço. Para o responsável, a política de apoio à internacionalização deve ir além da componente financeira e ganhar maior densidade estratégica.

Com esse objetivo, Jorge Henriques sublinha também o papel que o Ministério da Economia e a AICEP poderão desempenhar na promoção internacional dos produtos portugueses, sobretudo numa fase em que o setor procura crescer para lá da Europa dos 27 e ganhar tração em novos mercados.

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