A 5 e 6 de maio, SCM Conference 2026 colocou em evidência que a supply chain vive tempos de aprendizagem, ditados pela necessidade de gerir o equilíbrio instável entre caos e controlo. São lições que espelham a vida real, como mostraram os oradores que encerraram cada um dos dias de debate: Vítor Costa mostrou como a perseverança dá frutos e Francisco Lufinha deixou claro que relativizar pode ajudar a navegar na incerteza e chegar a bom porto.
Ex-profissional de supply chain e agora Growth Cultivator, Vítor Costa, partilhou uma história, em jeito de metáfora, sobre o início do seu percurso pela agricultura quando se reformou. Investiu em conhecimento sobre a área com o objetivo de criar uma plantação saudável de legumes que lhe permitiu o início de um cultivo saudável. No entanto, a plantação começou a sofrer com pragas de insetos. Perante este desafio, aplicou vários produtos químicos para acabar com as pragas. No início funcionou, mas voltavam sempre. Após perceber que não podia resolver o problema desta forma, Vítor Costa regressou às aulas de agricultura para perceber como se dava a volta à situação, e aprendeu uma grande lição: as pragas não se podem controlar quando se manifestam. É preciso um trabalho de antecipação que começa no solo. Tratá-lo e torná-lo saudável. Foi isso mesmo que fez. Fertilizou o solo, e ficou tão saudável que criou vários ecossistemas, permitindo fazer crescer uma plantação. No fim, ficou clara a mensagem que é preciso dedicação, tempo, errar e aprender a fazer certo, e antecipar riscos. Com um solo robusto e saudável é possível colher os frutos desejados.
Da agricultura para o kitesurf. A mudança pode ser algo brusca, mas a mensagem é muito semelhante. Francisco Lufinha é um kitesurfer português que já bateu vários recordes, com direito a lugar no Guiness Book. Esteve presente na SCM Conference para partilhar os desafios que superou aquando das viagens que realizou com o seu kite.
Em 2015 fez uma viagem ininterrupta de Lisboa à Madeira, em 2017 foi até aos Açores e, em 2021, atravessou o Oceano Atlântico, desde as ilhas Canárias até às Caraíbas, num kiteboat. “O principal problema na minha cadeia de abastecimento é ficar sem vento”, afirmava o navegador, uma vez que é o vento que puxa o kite até ao destino. Mas este é só um dos fatores que impacta os desafios que Francisco Lufinha se propõe a ultrapassar. Destaca a preparação, dedicação e compromisso como os princípios que o levam a concluir estas provas. Tem uma equipa que dedica muito do seu tempo, sendo esse um dos drivers que não o permite desistir. Ainda assim, há imprevistos fora do seu controlo que podem comprometer os desafios. Adaptação e flexibilidade são também fundamentais para se superar a si próprio.
Entre as mensagens passadas por Francisco Lufinha, deixa algumas que podem ser transpostas para a gestão da supply chain: exaustão mental gera más decisões, é preciso inovar para avançar, os desafios são superados através da simplificação e da relativização de problemas, e no meio da incerteza, a resiliência e a redundância são completamente essenciais.



