A função de compras está a entrar numa nova etapa em que a tecnologia, por si só, deixou de ser suficiente. O novo diferencial, defende a Stratesys, está na capacidade de integrar informação, automação e inteligência no fluxo operacional, num momento em que a Gartner prevê que, até 2027, metade das empresas venha a apoiar a negociação contratual com ferramentas de análise de risco e redação assistidas por IA.

A digitalização do Procurement já não chega para marcar diferença. Depois de vários anos em que a prioridade passou por acelerar a adoção de plataformas, automatizar tarefas e reforçar a capacidade analítica, o setor entra agora numa fase em que o verdadeiro desafio está em transformar essa base tecnológica em decisões mais rápidas, mais fiáveis e mais úteis para a operação.

É esta a leitura da Stratesys, que identifica uma mudança de ciclo na função de compras: sair da lógica de gestão de informação e avançar para um modelo de operação mais inteligente, em que os dados deixam de estar apenas disponíveis e passam a estar integrados no momento de decisão.

A pressão para essa evolução não é apenas conceptual. Segundo a Gartner, até 2027 metade das organizações deverá apoiar a negociação de contratos com fornecedores através de ferramentas de análise de risco e edição assistidas por inteligência artificial. A mesma consultora assinala, porém, que a maturidade operacional continua longe de estar consolidada em muitas empresas.

É precisamente nessa distância entre tecnologia instalada e capacidade real de execução que a Stratesys coloca o foco. De acordo com a consultora, um dos exemplos mais evidentes continua a ser o processo de qualificação e onboarding de fornecedores, onde persistem fluxos excessivamente manuais, validações dispersas por várias áreas, avaliações de risco descontínuas e fraca integração com o próprio processo de compra.

O resultado tende a repetir-se. Onboardings lentos, menor capacidade de resposta, decisões suportadas por informação incompleta ou já desatualizada e mais dificuldade em escalar a operação quando cresce a exigência sobre a base de fornecedores.

Perante este cenário, a tecnológica defende uma abordagem assente em três vetores: informação disponível em tempo real, integração dessa informação no fluxo operacional e automatização da inteligência aplicada ao Procurement. A ambição, segundo a empresa, passa por reduzir tempos de onboarding, reforçar a conformidade, diminuir a exposição ao risco operacional e melhorar a experiência tanto das equipas internas como dos fornecedores.

Para Gustavo Blanco, Associate Director do Procurement Excellence Center da Stratesys, o ponto crítico está menos na quantidade de informação e mais na sua utilidade prática. “Não se trata de ter mais informação, mas sim de a ter no momento adequado e de a integrar no processo com a inteligência necessária para agir”, afirma.

Na base desta transformação continuam a estar plataformas como a SAP Ariba, apontadas pela consultora como estrutura de suporte para normalizar processos, centralizar informação e reforçar a rastreabilidade. Mas, na perspetiva da Stratesys, o ganho real surge quando essa infraestrutura é complementada por capacidades de avaliação contínua, automação inteligente e informação contextualizada no próprio fluxo de Procurement. É nesse enquadramento que a empresa coloca soluções como a U-Qualify, integrada no ecossistema ORION.

Mais do que uma questão de ferramentas, o que está em causa é uma redefinição do próprio papel da função de compras. Num contexto em que risco, conformidade, velocidade e visibilidade ganham peso crescente, o procurement deixa de ser apenas uma área de suporte transacional para assumir uma função mais conectada à execução e mais próxima da decisão.

A evolução, conclui a tecnológica, não será determinada pela quantidade de tecnologia implementada, mas pela capacidade das organizações de transformar essa tecnologia em decisões eficazes, contextualizadas e integradas no processo operacional.