O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um novo aumento, das tarifas sobre exportações europeias de automóveis, que passou de 15% para 25%, pode ler-se no ECO.

A indústria automóvel, que está a ser afetada pelo aumento dos preços dos combustíveis e das matérias-primas, volta a sofrer um embate com o anúncio de Donald Trump sobre um aumento de 10% nas tarifas, que justifica pela falta de cumprimento do por parte da União Europeia.

“Tenho o prazer de anunciar que, uma vez que a União Europeia não está a cumprir o nosso acordo comercial integralmente acordado, na próxima semana aumentarei as tarifas sobre os automóveis e camiões da União Europeia que entrem nos Estados Unidos. A tarifa será elevada para 25%”, escreveu Donald Trump na plataforma de redes sociais, Truth Social.

No panorama nacional, esta notícia preocupa a indústria. José Couto, presidente da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA), lamenta esta decisão que torna a situação “preocupante”, citado pelo ECO. “Sabemos que as exportações da Alemanha para os EUA baixaram. As empresas portuguesas trabalham para a Alemanha. Isto não é uma coisa de curto prazo. É uma nova ameaça que vai determinar um período mais longo de recuperação para indústria nos EUA”, comenta.

O responsável indica que para fazer face a estes desafios será preciso aumentar a competitividade nas componentes europeias e nacionais. “Não podemos permitir que a indústria se deixe amarfanhar pelos competidores asiáticos e americanos.”

Por sua vez Hélder Pedro, secretário-geral da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), também considera o anúncio “negativo” para o setor automóvel. “A relação bilateral com os EUA é uma relação que tem de ser resolvida”, afirma, uma vez que “as tarifas não são benéficas para os consumidores”. Acrescenta que apesar de o setor português não estar muito exposto aos EUA, é o 7.º produtor da União Europeia.

O aumento das tarifas irá terá impacto transversal. De acordo com José Couto, no caso dos componentes, “os custos estão a aumentar não só na energia, mas também na logística e nas matérias-primas. Há um aumento significativo de custos. Nos melhores cenários, há um aumento entre 10 e 12% do nível de custos.”

Já Hélder Pedro acredita que as fábricas vão ser impactadas nos custos de produção. Quanto ao fornecimento de matérias-primas, considera que para já não há problema, uma vez que “há stocks, mas a prazo iremos sentir esse efeito.”