A SCM Conference 2026 realiza-se já nos dias 5 e 6 de maio, na Quinta do Frade, em Sobral de Monte Agraço, e volta a reunir líderes, decisores e especialistas para uma discussão sem atalhos sobre o futuro das cadeias de abastecimento. Sob o mote “Entre o Caos e o Controlo: A Nova Supply Chain”, a conferência propõe um dia e meio de debate, partilha e reflexão sobre aquilo que hoje mais pesa na gestão da supply chain: a capacidade de decidir quando o contexto deixa de oferecer certezas.

A 24 horas de abrir portas, a SCM Conference 2026 afirma-se como muito mais do que um ponto de encontro para profissionais da logística e da supply chain. O que está em causa nesta edição é uma pergunta de fundo: como liderar, decidir e manter o rumo num tempo em que a instabilidade deixou de ser exceção para passar a fazer parte do cenário base?

É dessa tensão entre pressão e resposta, entre volatilidade e capacidade de ação, que nasce o tema deste ano. “Entre o Caos e o Controlo: A Nova Supply Chain” não é apenas um mote. É o retrato de um contexto em que as empresas são chamadas a rever prioridades, a reorganizar relações, a gerir risco com outra profundidade e a tomar decisões relevantes mesmo quando a informação é incompleta e o plano inicial já não chega.

Durante dois dias, a Quinta do Frade, em Sobral de Monte Agraço, volta a receber uma comunidade profissional que procura mais do que tendências. Procura leitura crítica, confronto de perspetivas, exemplos concretos e conversas capazes de acrescentar densidade ao debate. Também por isso, a SCM Conference mantém uma identidade própria: combina conteúdos estratégicos com momentos de proximidade, formatos mais participativos e um ambiente que convida ao encontro entre pares fora da lógica habitual de auditório e sala de hotel.

O programa foi desenhado para refletir esse equilíbrio. No primeiro dia, o arranque faz-se com uma leitura internacional sobre o que vem a seguir para a supply chain europeia, pela voz de Cristian Ferreyra, da CSCMP Spain Roundtable, seguindo-se uma Executive Roundtable dedicada ao lugar crescente da supply chain na agenda dos CEO. Mais tarde, o debate central da conferência coloca em confronto visões e experiências distintas em torno do próprio tema desta edição, num momento pensado não para produzir consenso fácil, mas para expor as tensões reais que hoje atravessam a gestão das cadeias de abastecimento.

Mas o primeiro dia não termina aí. O encerramento ganha um tom próprio com a intervenção de Vítor Costa, num momento pensado para recentrar a discussão e deixar a sala com perspetiva. Depois de uma tarde marcada por temas como fragmentação, risco, liderança e capacidade de resposta, este fecho ajuda a consolidar uma das ideias centrais da conferência: num ambiente instável, tão importante como reagir depressa é conseguir interpretar o contexto e enquadrar as decisões de forma mais ampla.

A partir daí, a conferência prolonga-se para lá do palco. O cocktail, powered by Smartlog, e o Supply Chain Dinner, patrocinado pela Savills, não surgem como meros apontamentos sociais no programa. Fazem parte da arquitetura do encontro. São momentos em que a conversa muda de ritmo, os contactos se aprofundam e o debate continua num registo mais próximo e mais espontâneo. Num setor em que tantas decisões dependem de confiança, alinhamento e conhecimento mútuo, estes espaços de networking têm um valor próprio: permitem cruzar perspetivas, criar ligações e prolongar discussões que começam nas sessões, mas muitas vezes ganham outra profundidade à mesa ou numa conversa informal ao final do dia.

No segundo dia, a manhã começa com um novo formato, as Supply Chain Connect Tables, mesas temáticas de participação limitada que reforçam a componente de proximidade e discussão aberta entre profissionais. A conferência arranca depois, pelas 09H30, com Tiago Devesa, do McKinsey Global Institute com o estudo Geopolitics and the Geometry of Global Trade: 2026 update”.

A manhã prossegue com uma mesa redonda dedicada ao procurement num mundo instável, onde a função de compra é chamada a gerir risco, continuidade e compromisso sob pressão, e com o painel “Smart, Fast, Connected: as novas Cadeias de Abastecimento”, que reúne empresas, tecnologias e casos concretos para mostrar como a transformação está a acontecer no terreno.

O programa integra ainda uma perspetiva ibérica e estratégica sobre infraestruturas e corredores logísticos, com a intervenção “La Península Ibérica como confluencia de corredores: de la infraestructura al posicionamiento estratégico”, por Jaime Gonzalez, da Ewals Cargo Care, reforçando uma das ideias que atravessa esta edição: a competitividade da supply chain não depende apenas de eficiência operacional, mas também da forma como territórios, redes e empresas se posicionam num mapa logístico em reconfiguração.

Destaque também para o encerramento, que fica a cargo de Francisco Lufinha, com a intervenção “Navegar na incerteza: manter o rumo sem controlar tudo”. Num programa construído em torno de decisões sob pressão, risco, colaboração, tecnologia e liderança, a escolha deste fecho não é acidental. A conferência termina com uma chamada à perspetiva: avançar num contexto instável não exige controlo absoluto, mas sim clareza sobre aquilo que não pode falhar quando tudo o resto muda.

Entre mesas redondas, painéis, momentos de networking e conversas entre pares, a SCM Conference 2026 volta assim a afirmar-se como um espaço de encontro para quem sabe que a supply chain já não se gere apenas com eficiência, nem se explica apenas com tendências. Gere-se com critério, com capacidade de adaptação e com decisões conscientes num tempo cada vez mais exigente.

Nos dias 5 e 6 de maio, em Sobral de Monte Agraço, a discussão volta a sair do plano abstrato para se aproximar da realidade. Porque, entre o caos e o controlo, é nas escolhas, nas relações e na qualidade das conversas que a nova supply chain verdadeiramente se desenha.

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