Embora representem apenas 0,8% do total de empresas em Portugal, as indústrias intensivas em tecnologia são responsáveis por 19% das exportações do tecido empresarial e por quase 5% do Valor Acrescentado Bruto nacional. O retrato traçado pela Informa D&B mostra também uma indústria a duas velocidades: enquanto os segmentos ligados à Saúde e Bem-estar se destacam pelo crescimento e rentabilidade, o desempenho global das empresas industriais mantém-se abaixo da média da economia.
As indústrias intensivas em tecnologia estão a afirmar-se como uma das bases mais relevantes da capacidade exportadora portuguesa. Segundo um estudo divulgado pela Informa D&B, estas empresas asseguram 19% das exportações de todo o tecido empresarial nacional, o equivalente a 18,6 mil milhões de euros. Apesar disso, o seu peso em número de empresas continua reduzido: representam apenas 0,8% do universo empresarial português.
No total, a Informa D&B identifica cerca de 3 mil indústrias intensivas em tecnologia, integradas nas categorias de alta e média-alta tecnologia definidas pelo INE a partir da classificação das atividades económicas. A maior fatia corresponde à área dos equipamentos, onde se incluem atividades como a indústria aeroespacial, máquinas, equipamento eletrónico, médico e elétrico. Já o segmento da Saúde e Bem-estar, que agrega indústria farmacêutica, material médico, cosméticos e produtos de higiene, assume um peso particularmente expressivo, ao concentrar 24% destas indústrias.
O estudo sublinha ainda que, embora pouco numerosas, estas empresas têm um impacto económico muito acima da sua dimensão relativa. As indústrias intensivas em tecnologia são responsáveis por quase 5% do Valor Acrescentado Bruto do país e por cerca de um quinto do investimento empresarial em Investigação e Desenvolvimento. Para Teresa Cardoso de Menezes, diretora-geral da Informa D&B, esta análise permite não só medir o peso atual da indústria na criação de riqueza, emprego e exportações, mas também identificar oportunidades futuras em vários setores.
Ainda assim, o retrato global da indústria portuguesa está longe de ser homogéneo. Os dados relativos ao período entre 2019 e 2024 apontam para um desempenho industrial abaixo da média do conjunto do tecido empresarial, quer em crescimento, quer em rentabilidade. Nos últimos cinco anos, o volume de negócios da indústria cresceu, em média, 5,8% ao ano, abaixo dos 6,5% registados pelo tecido empresarial em geral. Também nas exportações o ritmo foi inferior: 5,3% de crescimento médio anual nas indústrias, face a 6,3% no conjunto das empresas.
O emprego confirma a mesma tendência. Embora a indústria continue a concentrar a maior fatia do emprego empresarial em Portugal, o crescimento foi de apenas 1,4% ao ano no período em análise, abaixo dos 2,4% observados no tecido empresarial. Entre os setores que mais penalizaram esta evolução surgem a indústria automóvel e o têxtil e moda, tanto no emprego como na dinâmica exportadora mais recente.
É precisamente neste contexto que a indústria ligada à Saúde e Bem-estar se destaca. Segundo a matriz de crescimento e rentabilidade traçada pela Informa D&B, este segmento posiciona-se claramente acima da média, surgindo como uma das áreas mais robustas e promissoras da atividade industrial em Portugal. Também na criação de novas empresas revela maior dinamismo, a par das indústrias de Equipamentos e Metalurgia.
Em sentido inverso, a criação de novas empresas industriais tem vindo a perder fôlego na última década. Entre 2016 e 2025, o número de novas empresas no conjunto do tecido empresarial aumentou, em média, 4,2% ao ano, enquanto nas indústrias se verificou um recuo anual de 0,9%. As maiores quebras registaram-se nos setores têxtil e moda, automóvel e alimentar.
No retrato territorial, o Norte mantém-se como o principal polo industrial do país. É nesta região que se concentram 52% das indústrias identificadas pela Informa D&B, reforçando o papel da atividade industrial como um dos pilares da economia regional e nacional. No total, as cerca de 32 mil indústrias existentes em Portugal representam 8% das empresas, empregam 635 mil pessoas, faturam 116 mil milhões de euros e são responsáveis por metade das exportações nacionais, num total de 50 mil milhões de euros de negócios com o exterior. Em 2024, o Valor Acrescentado Bruto da indústria correspondia a quase 10% do PIB.
Mais do que um retrato estatístico, o estudo deixa um sinal claro: a indústria portuguesa continua a ser determinante para o emprego, para a criação de riqueza e para a projeção externa da economia, mas enfrenta sinais de abrandamento estrutural que contrastam com a resiliência e o potencial de segmentos mais tecnológicos e especializados.



