O SAP Connect Day estreou-se em Portugal e reuniu 750 participantes para discutir o papel da inteligência artificial na competitividade empresarial. Na supply chain, casos como Cimpor e Bondalti mostram que a digitalização está a ser acelerada pela volatilidade global.
Pela primeira vez em Portugal, a SAP reuniu cerca de 750 clientes, parceiros e especialistas no SAP Connect Day Portugal, um encontro que colocou a inteligência artificial no centro da transformação empresarial, não como ferramenta adicional, mas como base operacional das organizações.
O evento, realizado no Pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, refletiu uma mudança clara de paradigma: a IA está a evoluir de camada tecnológica para “sistema operativo” das empresas, sustentada por dados fiáveis, plataformas cloud e integração transversal nos processos de negócio. Mas se a ambição é clara, os desafios também.
Ao longo das várias sessões, organizadas num formato “6-em-1”, com experiências paralelas, ficou evidente que o maior obstáculo já não é o acesso à tecnologia, mas sim a sua operacionalização. Gestão de dados, modernização de sistemas legacy e, sobretudo, mudança organizacional continuam a ser os principais entraves à adoção efetiva da IA em escala. Casos como o da Mota-Engil ou da Fidelidade ilustram essa complexidade: a transformação exige primeiro consolidar dados, rever processos e alinhar estruturas antes de qualquer ganho real com inteligência artificial.
Foi, no entanto, na área da cadeia de abastecimento que o discurso se tornou mais pragmático. A Bondalti e a Cimpor trouxeram para o palco um ponto essencial: a digitalização não está a ser impulsionada por visão tecnológica, está a ser forçada pela volatilidade global. Num contexto de cadeias de valor instáveis, a necessidade de resiliência e adaptação contínua está a acelerar decisões de investimento.
No caso da Cimpor, a dependência do transporte marítimo e a intensidade energética da operação expõem a empresa a múltiplos riscos externos, tornando a digitalização crítica para garantir agilidade e capacidade de resposta em cenários de disrupção.
Já a Bondalti destacou a necessidade de rever modelos operacionais para responder a um ambiente onde a previsibilidade deixou de ser o padrão.
A mensagem transversal do evento foi clara: a inteligência artificial será um fator determinante de competitividade, mas não de forma automática. As organizações que conseguirem alinhar dados, processos e cultura terão vantagem. As restantes arriscam ficar presas numa fase intermédia: com tecnologia disponível, mas sem capacidade real de execução.
Num ano que a SAP aponta como decisivo para a transformação digital na Europa, a questão deixa de ser “se” as empresas vão adotar IA, mas antes saber quem é que consegue fazê-lo a tempo e com impacto real.



