A japonesa K Line integrou um consórcio internacional que está a avaliar a viabilidade de hubs de captura, utilização e armazenamento de carbono na Ásia, num movimento que reforça a crescente importância do transporte marítimo de CO2 na descarbonização de setores industriais de difícil abatimento, como o aço.

A Kawasaki Kisen Kaisha, mais conhecida como K Line, anunciou a sua entrada num consórcio que está a desenvolver um estudo de pré-viabilidade para hubs de Carbon Capture, Utilization and Storage (CCUS) na Ásia. A armadora japonesa juntou-se formalmente à iniciativa em fevereiro de 2026, assumindo o papel de especialista estratégico em tecnologia de transporte marítimo de dióxido de carbono.

O consórcio foi lançado em agosto de 2025 e reúne empresas de vários pontos da cadeia de valor, incluindo os produtores siderúrgicos ArcelorMittal Nippon Steel India, JSW Steel e Hyundai Steel, bem como BHP, Chevron Australia New Energies, Mitsui & Co., Kobe Steel e Low Emission Technology Australia. Segundo os promotores, trata-se do primeiro estudo independente liderado pela indústria deste género na Ásia.

O objetivo passa por avaliar os caminhos técnicos e comerciais para desenvolver infraestruturas de CCUS em indústrias consideradas “hard-to-abate”. Na primeira fase, o estudo analisou mais de 3.000 potenciais localizações de armazenamento e identificou cinco hubs prioritários: dois na Índia, um na Indonésia, um na Malásia e um na Austrália. A segunda fase irá aprofundar esses locais, com foco na redução de custos, no desenho de modelos comerciais e na avaliação mais rigorosa das lacunas regulatórias.

Para a K Line, a participação neste estudo encaixa numa estratégia mais ampla de posicionamento no transporte de CO2 liquefeito. A companhia diz levar para o consórcio a experiência acumulada em projetos ligados à cadeia de valor do CCS, entre eles o Northern Lights, na Noruega, bem como outras iniciativas apoiadas pelo governo japonês. Em janeiro, a empresa anunciou também um novo acordo de fretamento com o Northern Lights para navios de transporte de CO2 liquefeito, num sinal claro de que este segmento está a ganhar escala comercial.

Mais do que uma adesão a um consórcio, este passo sinaliza uma mudança relevante para a logística e para o transporte marítimo. Se os hubs de CCUS avançarem, a captura de carbono deixará de ser apenas uma questão industrial ou tecnológica e passará também a depender da criação de novas cadeias logísticas para movimentar CO2 entre unidades emissoras, infraestruturas portuárias, navios e locais de armazenamento. É aí que o shipping pode conquistar um novo papel estratégico na descarbonização industrial. Esta leitura assenta diretamente no foco do estudo, que cobre captura, transporte e armazenamento de CO2 em setores intensivos em emissões.