A AGEPOR reagiu em comunicado à contestação pública ao projeto aprovado pela APA e defende reforço da capacidade portuária como questão estratégica para a economia do Norte de Portugal.
A aprovação ambiental do novo terminal de contentores a norte do Porto de Leixões continua a gerar posições divergentes, com a AGEPOR a vir agora a público defender o projeto e alertar para o risco de perda de competitividade da infraestrutura portuária.
Em comunicado, a associação critica o que descreve como uma crescente mobilização pública contra o plano estratégico do porto, incluindo campanhas locais e contestação por parte de residentes e movimentos cívicos, sublinhando que estas posições “ignoram o papel estratégico” de Leixões na economia nacional.
A tomada de posição surge numa altura em que o projeto do novo terminal, que já recebeu luz verde da Agência Portuguesa do Ambiente, enfrenta críticas sobretudo ao nível do impacto urbano, paisagístico e ambiental na zona de Matosinhos e Leça da Palmeira.
Do lado da AGEPOR, o argumento é claro: Leixões é um ativo crítico para o tecido empresarial do Norte e para a ligação da região aos mercados internacionais, incluindo a Galiza. A associação sustenta que a infraestrutura portuária tem sido um dos principais motores de criação de riqueza e emprego na região, numa relação que descreve como “umbilical” com o território envolvente.
Um dos pontos centrais do posicionamento prende-se com a evolução estrutural do transporte marítimo. Segundo a associação, o aumento da dimensão dos navios exige capacidade portuária compatível, sob pena de desvio de tráfego para outros portos da Península Ibérica.
A referência implícita é ao Porto de Vigo, que poderá captar serviços atualmente assegurados por Leixões, caso não haja adaptação da infraestrutura. “Já há serviços que foram perdidos e mais se vão perder se nada for feito”, alerta a associação.
O debate em torno do novo terminal expõe uma tensão crescente entre objetivos de competitividade logística e preocupações urbanísticas e ambientais. De um lado, operadores e agentes do setor defendem investimento para garantir escala e eficiência; do outro, surgem preocupações com o impacto na frente marítima e na qualidade de vida das populações locais.
Na sua posição, a AGEPOR critica ainda o que considera ser a prevalência de interesses imobiliários ou locais sobre uma visão mais alargada do papel do porto, sublinhando que o transporte marítimo continua a ser um pilar invisível mas essencial do funcionamento económico.
Mais do que uma intervenção infraestrutural, o novo terminal está a tornar-se um caso paradigmático das decisões que hoje marcam as cadeias de abastecimento: investir para ganhar escala e resiliência ou limitar expansão para acomodar pressões territoriais e sociais. Para a AGEPOR, a resposta é inequívoca: “Portugal e o Norte não podem permitir que Leixões seja sufocado”.



