O Governo formalizou a criação de uma equipa técnica para acompanhar a implementação da estratégia Portos 5+, colocando Vítor Caldeirinha na coordenação de uma estrutura que junta as principais administrações portuárias nacionais e prepara novas concessões até 2035.
O Governo avançou com a nomeação da equipa técnica responsável por acompanhar a execução da estratégia Portos 5+, um dos principais instrumentos de política pública para o desenvolvimento do sistema portuário nacional na próxima década. A coordenação ficará a cargo de Vítor Caldeirinha, numa estrutura que reúne representantes das administrações portuárias do continente.
A decisão foi formalizada por despacho do secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, publicado em Diário da República, e marca a passagem da estratégia de uma fase de definição para uma lógica de execução e acompanhamento.
A equipa agora constituída integra os presidentes dos conselhos de administração dos portos de Lisboa, Setúbal e Sesimbra, Douro, Leixões e Viana do Castelo, Aveiro, Figueira da Foz, Sines e Algarve. A estes juntam-se Ana Maria de Lemos Nunes, vogal da administração portuária de Lisboa, Setúbal e Sesimbra, e, no caso de Sines, Pedro do Ó Ramos. Trata-se de uma estrutura que cruza liderança institucional com capacidade operacional, num modelo que procura alinhar prioridades e garantir coerência na execução dos investimentos previstos.
Entre as principais responsabilidades atribuídas à equipa estão o acompanhamento dos planos estratégicos e de ação de cada porto; apoio à preparação dos cadernos de encargos e programas dos concursos de concessão previstos até 2035; definição de metodologias e indicadores de monitorização da execução e articulação com entidades públicas e privadas relevantes para o ecossistema portuário.
A estratégia Portos 5+, apresentada em 2025, prevê um investimento global na ordem dos 4 mil milhões de euros, com forte componente de financiamento privado, complementado por fundos comunitários e investimento das próprias autoridades portuárias.
Um dos eixos centrais passa pelo lançamento de 15 novas concessões, numa lógica de reforço da capacidade, modernização das infraestruturas e aumento da competitividade do sistema portuário português.
O despacho prevê ainda a elaboração de um plano de acessibilidades rodoviárias e ferroviárias aos portos, incluindo a ligação a portos secos e plataformas intermodais. Este ponto é particularmente relevante num contexto em que a eficiência portuária depende cada vez mais da integração com a rede logística terrestre.
Mais do que uma medida administrativa, a nomeação desta equipa sinaliza uma tentativa de acelerar a execução e reduzir o desfasamento entre estratégia e implementação, um dos pontos críticos historicamente associados ao desenvolvimento portuário em Portugal.
Num momento em que a pressão sobre cadeias logísticas, corredores europeus e fluxos de comércio global continua a intensificar-se, a capacidade de transformar o investimento previsto em capacidade instalada será determinante para o posicionamento competitivo dos portos nacionais.



