A capacidade de carga aérea no corredor Ásia – Médio Oriente – Europa, um dos corredores mais críticos do mundo, sofreu uma queda de 26% em toneladas-quilómetros de carga disponíveis, devido aos encerramentos do espaço aéreo no Golfo, após o ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irão, segundo a consultora Aevean, citada pela The Loadstar. 

Enquanto isso, a capacidade direta de carga entre a Ásia e a Europa aumentou entre 13% e 14%, o que se reflete no reencaminhamento de aeronaves pelas companhias aéreas que estão a evitar as tradicionais escalas no Golfo.

No quarto trimestre de 2025, cerca de 50% da capacidade entre China/Hong Kong e a Europa era operada de forma direta. Os restantes 50% dependiam de escalas no Médio Oriente ou na Ásia Central, o que significa que metade do corredor depende, normalmente, de paragens intermédias, muitas delas em centros do Golfo, como Doha, Dubai e Abu Dhabi. Com o espaço aéreo encerrado do Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein, Iraque, Irão e Israel, essa dependência ficou subitamente exposta, uma vez que também há a necessidade de evitar corredores vizinhos.

O impacto na Índia é particularmente significativo. Com os centros do Golfo inoperacionais, o fluxo de carga nos porões de aviões de passageiros entre a Índia e a Europa, e daí para a América do Norte, foi fortemente restringido.

Por sua vez, os transitários relatam que as transportadoras já estão a restringir reservas e a solicitar que a carga para destinos afetados seja retida na origem. As estimativas apontam para um atraso de sete a 10 dias, mesmo que o espaço aéreo reabra rapidamente, podendo ser necessárias algumas semanas para normalizar os fluxos.

No que diz respeito ao combustível, a Bloomberg indica que cerca de 20% para aviação mundial passa pelo Estreito de Ormuz, e que os prémios para entregas a curto prazo duplicaram no fim de semana. Rotas mais longas, maiores tempos de voo e potenciais restrições de carga significam que qualquer aumento de preço do combustível irá refletir-se nos custos operacionais das companhias aéreas.

 

AS INTERRUPÇÕES NAS COMPANHIAS AÉREAS

Qatar Airways Cargo: Todos os voos suspensos; cerca de 12.000 toneladas de capacidade afetadas;

Emirates SkyCargo: Voos suspensos até ao passado dia 2 de março; restrições de reservas; danos menores no Terminal 3 do hub do Dubai;

Etihad Cargo: Voos cancelados; aeronaves reposicionadas após desvios;

Lufthansa Cargo: Voos suspensos para Tel Aviv, Beirute, Amã, Erbil, Dammam e Teerão até 8 de março; embargo de carga (animais vivos, perecíveis, valores, etc,) para o Dubai, Abu Dhabi e Riade;

Turkish Cargo: Serviços suspensos para vários destinos no Médio Oriente;

Air India: Rotas para Europa e América do Norte alongadas; aeronaves retidas em locais de desvio;

Cathay Pacific Cargo: Operações no Médio Oriente suspensas; cargueiros para o Dubai interrompidos.