A depressão Kristin provocou prejuízos de milhões de euros no setor agroalimentar português, com impacto direto na produção, no escoamento e na estabilidade da cadeia de abastecimento. A Portugal Fresh defende respostas rápidas, eficazes e desburocratizadas para evitar que os efeitos da tempestade se prolonguem no tempo.
A depressão Kristin causou prejuízos significativos no setor agroalimentar nacional, afetando culturas, infraestruturas e a atividade de centenas de agricultores. As inundações e o alagamento de campos agrícolas comprometeram colheitas e colocaram em risco a continuidade da produção, com potenciais impactos no abastecimento interno e nos fluxos de exportação.
Apesar da dimensão dos danos provocados pelo fenómeno climático, a Portugal Fresh alerta que a maior ameaça para muitos produtores pode ainda estar por vir: a lentidão dos processos, a burocracia associada aos apoios e a inadequação das soluções anunciadas.
“Apoiar o setor das frutas, legumes e flores, bem como o setor agroalimentar e florestal em geral, não é apenas uma questão de solidariedade para com os agricultores: é uma decisão estratégica para o país. É preciso assegurar que os produtos produzidos em Portugal continuam a chegar à mesa dos consumidores e aos mercados de exportação”, sublinha Gonçalo Santos Andrade, presidente da associação.
Num contexto em que o Governo anunciou um conjunto de medidas para responder às consequências da tempestade, incluindo um apoio até 10 mil euros para a agricultura e floresta, nos casos sem cobertura de seguro, a Portugal Fresh considera fundamental garantir que estes apoios sejam diretos, a fundo perdido e aplicados em tempo útil.
A associação reconhece o esforço do Executivo, mas considera que as medidas anunciadas são insuficientes face à gravidade da situação no terreno. “É essencial garantir que todas as empresas afetadas, independentemente da sua localização, tenham acesso aos apoios previstos, o que exige uma aposta clara na simplificação dos processos”, refere a Portugal Fresh.
Neste enquadramento, a associação vê com bons olhos a nomeação de Paulo Fernandes para a liderança da Estrutura de Missão criada para apoiar a recuperação das áreas afetadas pela depressão Kristin, considerando que a experiência no terreno poderá contribuir para uma resposta mais próxima e operacional.
Para a Portugal Fresh, num cenário de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, a capacidade de resposta rápida torna-se um fator crítico não apenas para os produtores, mas para a resiliência de toda a cadeia agroalimentar portuguesa.



