O Porto de Leixões vai receber um investimento superior a mil milhões de euros até 2035, no âmbito do seu Plano Estratégico 2025–2035, que prevê a construção de um novo terminal de contentores, reforço da intermodalidade ferroviária, expansão logística e uma aposta clara na descarbonização. O objetivo, segundo o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, é dotar o porto de “condições competitivas” para responder ao crescimento do comércio externo e competir com os principais portos nacionais e galegos.

O Plano Estratégico do Porto de Leixões foi apresentado esta terça-feira e contempla um investimento total de 1.020 milhões de euros ao longo da próxima década. Para o ministro Miguel Pinto Luz, trata-se de um plano “transformador”, essencial para reforçar o papel de Leixões enquanto infraestrutura logística estratégica ao serviço da economia nacional e de um hinterland estimado em 14 milhões de pessoas.

“Estamos a falar de um porto por onde passam cerca de 2.400 navios por ano, responsável por aproximadamente 20% do comércio externo português por via marítima, e que viabiliza exportações para 184 países”, sublinhou o governante, destacando a importância de criar condições operacionais e logísticas que acompanhem essa dimensão.

O elemento central do plano é a construção de um novo terminal de contentores, considerado pelo Governo e pela Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) como a “jóia da coroa” do projeto. A expansão permitirá aliviar a atual pressão operacional do porto, que funciona acima da sua capacidade instalada.

João Pedro Neves, presidente da APDL, foi claro quanto às limitações atuais: “O terminal de contentores tem uma capacidade operacional de 590 mil TEU, mas o Porto de Leixões movimenta hoje cerca de 700 mil TEU. Estamos a trabalhar muito acima da capacidade, quase dentro de uma cabine telefónica”.

Segundo o responsável, o plano estratégico nasce da necessidade de garantir condições para o crescimento futuro das mercadorias e da atividade logística. “Hoje, o Porto de Leixões é um meio logístico estratégico. Esta ampliação é essencial para continuar a projetar o porto para as próximas gerações”, afirmou.

Outro eixo estruturante do plano é o reforço da intermodalidade, com especial destaque para a ferrovia e para a ligação ao porto seco da Guarda, numa lógica de maior eficiência logística, redução de custos e diminuição da pegada carbónica das cadeias de abastecimento. A estratégia enquadra-se no programa Portos 5+, apostando numa maior integração do porto nas cadeias logísticas ibéricas e europeias, e num posicionamento mais competitivo face aos portos da Galiza e do noroeste peninsular.

O plano estratégico de Leixões assenta em quatro pilares: competitividade e infraestrutura; transformação digital e inovação; ambiente e descarbonização; relação porto-cidade e qualidade de vida.

No domínio ambiental, estão previstos investimentos em OPS (Onshore Power Supply), energias renováveis, subestações de alta tensão e combustíveis verdes, reforçando o compromisso do porto com a transição energética e com a redução das emissões associadas à atividade portuária e logística.

A execução do plano está faseada em três grandes etapas. Entre 2025 e 2028, avançam os projetos críticos, incluindo o molhe de proteção, bacia de rotação, novos cais, terminais, terraplenos e reforço da intermodalidade ferroviária. Entre 2029 e 2031, o foco será a consolidação energética. Já no período 2032–2035, está prevista a expansão logística e o reforço multimodal.

O secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, destacou que a desativação da refinaria de Matosinhos abriu espaço para “uma nova oportunidade logística”, sublinhando que o novo terminal de contentores será “um catalisador de crescimento” para a região e para o país.

Apesar das críticas e das reservas já manifestadas pela autarquia de Matosinhos, o Governo reforça que Leixões “não é apenas um porto local, é o porto do Norte”. “Temos um plano ambicioso e resiliente, e vamos cumpri-lo a tempo e horas”, garantiu o ministro.

FOTO:  Diogo Lima / MIH