Os fabricantes automóveis estão preocupados com as propostas de “Made in Europe”, com as quais a Comissão Europeia visa promover a base industrial da região. Receiam, de acordo com o Financial Times, que possam disromper ainda mais as cadeias de abastecimento.

As propostas em causa incluem o estabelecimento de metas para o fornecimento local de componentes de produtos como automóveis e painéis solares, sendo que essas metas variam em função da dependência europeia dos seus parceiros comerciais, nomeadamente da China, e da capacidade do bloco para escalar a produção.

Citado pelo jornal, o CEO da BMW, Oliver Zipse, considera que estabelecer regras de fornecimento local pode ser “muito perigoso”, porque seriam “extremamente difíceis” de calcular. E a Europa arriscaria “ficar de fora da corrida da inovação”.

Numa carta à Comissão Europeia, fabricantes japoneses levantam também preocupações, em particular a de que estas propostas possam excluir até parceiros comerciais “amigáveis”.

O presidente da Honda Motor Europe, Katsuhisa Okuda, afirma que metas demasiado restritivas podem causar “consequências inesperadas, que poderão atrasar a transição da Europa para a mobilidade limpa”.

Outros fabricantes defendem que o Reino Unido e a Turquia sejam incluídos nas metas de fornecimento propostas, dado que possuem grandes centros industriais.

Porém, os fabricantes de componentes argumentam que a definição de metas é crítica para a sua sobrevivência, dado que as pesadas tarifas que a União Europeia impôs aos veículos elétricos chineses não conseguiram atrasar a sua incursão na Europa.