A The Summer Berry, empresa de exportação de frutos vermelhos sediada em Odemira, terminou o ano 2020 com um crescimento na facturação em 20 milhões de euros, contrariando a tendência nacional. A razão para este crescimento está no redireccionamento da sua posição de mercado, tendo procurando uma alternativa para fazer face à pandemia.

Apesar dos resultados apresentados nas primeiras semanas da pandemia, e que tiveram um claro impacto na facturação da empresa, a The Summer Berry mantém a sua ideia de acrescentar 90 hectares de estufa aos 130 de que já dispõe. Revelou ainda à Lusa que para além das vendas terem ficado muito aquém do esperado, também os custos de transporte aumentaram significativamente, em 30%, devido à falta de eficiência dos transportadores, tendo a empresa passado a suportar a ida e volta dos camiões.

A redução não foi imediata, e só agora estão a voltar à normalidade, mas a empresa conta que começaram a aproveitar as viagens de volta para trazer plantas que costumam importar de outros países noutras alturas do ano, procurando assim rentabilizar um pouco as viagens.

Nuno Pereira, director-geral da empresa, revelou à Lusa que “o que fizemos para ajudar, quer a operação do transportador, quer o nosso custo logístico, foi em cada carga de fruta que saía daqui para exportação, tentarmos trazer alguma coisa do mercado de destino antecipadamente, para que os camiões viessem compostos ou cheios sempre que possível”.

Quando se viram frente a uma incapacidade de escoar a sua produção, distribuíram cabazes por diversas entidades sociais, como profissionais de saúde, bombeiros, lares de idosos, centros de saúde, escolas e associações locais. Dentro do mercado nacional também estabeleceram uma parceria com uma empresa de fornecimento de produtos agrícolas durante o confinamento com forma de ajudar a escoar o excesso.

Como tal, procuram agora olhar de forma diferente para o mercado português, e tencionam ter “uma operação mais direccionada ao mercado nacional e abastecer o retalho português”.

Reflectindo sobre a actuação do sector agrícola durante a pandemia, Nuno Pereira defende que “fomos os mais resilientes da economia, que nunca pararam, que inclusivamente absorveram mão de obra de outros sectores que pararam a partir de Março e, portanto, começámos a aparecer nos telejornais e nos jornais numa perspectiva muito positiva”.

“Numa perspectiva de que estamos a ajudar a economia, de que nunca parámos, de que nunca faltou fruta e legumes nas prateleiras dos supermercados portugueses. Fazendo o saldo, esse foi o grande aspecto positivo que esta pandemia nos trouxe”, conclui.

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