As tecnológicas Apple, Canon e Nokia já anunciaram que estão comprometidas com a revisão das suas cadeias de abastecimento para que sejam mais responsáveis em termos de direitos humanos e meio ambiente, após denúncias de ilegalidades na região da Tanzânia. Em causa estavam as actividades da Acacia, fornecedora de ouro dos mercados globais, numa mina desta região.

Segundo apuraram as investigações publicadas pelo jornal The Guardian e um conjunto de jornalistas liderados pelo Forbidden Stories, nos últimos 10 anos foram assassinadas 12 pessoas por parte dos seguranças do local. Também ao nível do ambiente se estavam a verificar problemas, através da contaminação de áreas residenciais e ribeiros da região.

A Acacia diz estar a trabalhar em formas de resolver este problema, mas que continua a enviar ouro para os mercados mundiais, entre os quais está a MMTC-PAMP, fornecedora de ouro para empresas do sector da tecnologia, utilizado como condutor para as placas de circuito.

Segundo revela a Apple, caso um fornecedor não esteja de acordo com os seus parâmetros este será removido da sua cadeia de abastecimento, e assegura estar “profundamente comprometida com o fornecimento responsável de materiais que entram nos nossos produtos”.

A Nokia, por sua vez, diz já ter entrado em contacto com a MMTC-PAMP para averiguar a veracidade das investigações feitas, e que caso as conclusões da investigação sejam confirmadas deixarão de trabalhar em conjunto.

Também a Canon desconhecia tais informações e irá analisar os relatórios da refinaria e consultar a Responsible Mineral Initiative para averiguar a situação.

Por sua vez, a MMTC-PAMP defende que procurou acautelar-se ao longo das suas cadeias de abastecimento de acordo com a sua política de responsabilidade, que envolve preocupações ambientais e vai contra actos de abuso dos direitos humanos, conflitos, lavagem de dinheiro ou financiamento de terrorismo. Revela ainda que já tomou medidas adequadas relativamente aos abusos dos direitos humanos e reconheceu que é necessário fazer um esforço maior relativamente às questões ambientais.

O governo da Tanzânia já actuou e impôs penalizações à mina, tendo ainda ordenado aos operadores que construíssem uma alternativa ao actual reservatório de resíduos, utilizado para o armazenamento de sub-produtos da actividade mineira. A lei da Tanzânia também obriga as minas a operar num raio de 200 metros de uma casa, ou de 100 metros de uma quinta, mas a Acacia revelou ao The Guardian que tal não fora possível.

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