A GS1 Portugal organizou a V edição do seu Seminário de Saúde. O evento foi ponto de encontro e convergência para os principais operadores da cadeia de valor do sector – reguladores, hospitais, laboratórios e operadores logísticos – com o objectivo de abordar os principais desafios associados ao impacto das Directivas dos Medicamentos Falsificados e dos Dispositivos Médicos, da gestão mais eficaz no contexto da Saúde e da segurança do paciente.

A iniciativa reuniu os principais operadores da Saúde e visou sensibilizar o sector para os benefícios da implementação de standards que garantam a segurança na cadeia de valor e, consequentemente, a do paciente, e discutir desafios legislativos, a adaptação do sector a novas exigências e a evolução tecnológica.

Face às dúvidas relativamente ao timing de implementação das Directivas dos Medicamentos Falsificados e dos Dispositivos Médicos contrapõe-se a necessidade de assegurar um processo proactivo, que responda eficazmente às actuais preocupações com a realidade da contrafacção e a crescente sofisticação em torno da mesma: “O sistema só é seguro até ao dia em que deixar de o ser.”

Dados internacionais da GS1 apontam para que cerca de 60% dos medicamentos comprados online sejam falsificados, contrafeitos ou não conformes, enquanto 15% do total do mercado será composto por medicamentos falsificados.
João de Castro Guimarães, Director Executivo da GS1 Portugal, destaca a importância deste tipo de eventos, afirmando o propósito de “que as empresas, sejam elas PME ou de maior dimensão, continuem a olhar para a GS1 como um parceiro no qual podem confiar”.

Na sessão de abertura da iniciativa, o responsável reforçou que o sector da Saúde tem vindo e continuará a ser uma das prioridades da actividade da GS1 Portugal, com uma intervenção centrada em dois segmentos estruturantes no setor: os Medicamentos e os Dispositivos Médicos.

A iniciativa continuou com a intervenção de Ricardo Valente, General Manager da MVO Portugal, que realizou um enquadramento global relativamente à introdução da Directiva dos Medicamentos Falsificados e retratou o estado de implementação do sistema nacional de verificação do medicamento. Em vigor desde 9 de Fevereiro de 2019, esta implementação decorre dentro do esperado, registando-se cerca de 88 milhões de embalagens já carregadas no repositório nacional.

Logo de seguida, e pela voz de Teresa Carvalho, Directora Técnica da Menarini Portugal, foi apresentada a perspectiva dos laboratórios. Entre os desafios apontados verificam-se a necessidade de alterações realizadas a equipamentos, locais de produção e métodos de fabrico, a optimização de processos e a resposta a mecanismos burocráticos de validação, no sentido de assegurar a introdução na embalagem do identificador único e do dispositivo de prevenção de adulterações agora exigidos.

Seguiu-se a perspectiva dos operadores logísticos por Hugo Barbosa, Director Técnico da Rangel Pharma, que abordou as obrigações específicas dos grossistas e os desafios identificados para a implementação da Directiva, associados a constrangimentos operacionais e custos acrescidos. A uma realidade de modelos de interface e de negócio distintos, incógnitas acerca das entidades a serem abrangidas e maturidade variável de clientes, as respostas possíveis apresentam-se através da possibilidade de agregação suportada pelo sistema de repositório, da avaliação da necessidade do número de registo e da existência de um período de transição.

Os hospitais estiveram representados pela voz de Sérgio Quinteiro, Direcção de Logística e Suporte Operacional da Luz Saúde, para quem o cumprimento da Directiva neste contexto apresentou dificuldades iniciais, tais como o tempo reduzido para a sua implementação e a ausência de um papel claro para os hospitais. A preocupação no grupo passou por desenvolver acções para endereçar o impacto esperado da adopção da Directiva em contexto hospitalar, entre exigências acrescidas para as equipas, um processo logístico mais complexo e demorado e possíveis constrangimentos de rede e de ligação às bases de dados nacional e europeia.

Identificar, partilhar e capturar

O programa da tarde teve início com uma intervenção de Géraldine Lissalde-Bonnet, Director Public Policy da GS1 Healthcare. A responsável da GS1 Global Office enquadrou a temática da Directiva dos Dispositivos Médicos e o papel da UDI – Identificação Única de Produtos para Saúde. O Sistema GS1 permitirá assegurar níveis acrescidos de segurança para o paciente e uma identificação harmonizada para dispositivos médicos a nível global, num processo que possibilita gerir eficazmente – identificando, partilhando e capturando – a informação de produto.
Seguiu-se um painel de debate sobre a UDI com moderação de Madalena Centeno, Gestora de Saúde da GS1 Portugal. O painel foi composto por Judite Neves, Directora de Dispositivos e Produtos de Saúde do INFARMED; Santiago Ruiz, Director Geral da B. BRAUN; Antonieta Lucas, Vice-presidente da APORMED; e Catarina Simões, Directora Regulatory Affairs & Quality Portugal, Espanha e Itália da MEDTRONIC.

Face ao desconhecido e às incógnitas que rodeiam ainda a aplicação das Directivas e à sua complexidade, surgem preocupações em torno dos custos para as empresas, para o sector público e, em última análise, para cada cidadão, numa discussão crítica ainda por concretizar acerca do equilíbrio entre os custos e os benefícios percepcionados para este projecto.
Embora os intervenientes no sector estejam, de uma forma geral, consciencializados da necessidade de registar os seus dispositivos, discutem-se ainda os detalhes sobre como o fazer. Torna-se, assim, necessário que os stakeholders estejam atentos e acompanhem de forma próxima esta temática.

Para terminar o programa,a iniciativa contou com a intervenção de Maria de Belém Roseira, num formato “À Conversa com…” conduzido pela jornalista Fernanda Freitas. A mensagem deixada passa pela ausência da compreensão sobre a necessidade de estar permanentemente a evoluir. Num país que sofre com a fuga de profissionais de Saúde e Engenharia, existe um capital subaproveitado, particularmente quando aplicado a um sector importantíssimo para a criação de valor acrescentado como é a Saúde. A exigência é de uma maior atenção ao investimento estratégico e à capacidade de olhar mais longe e de flexibilidade e adaptabilidade ajustada à realidade do sector e das necessidades dos cidadãos.

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