Há já algumas semanas que as entradas das retalhistas foram decoradas com tons coloridos, coelhos, ovos e amêndoas. Quem por lá entra sente um novo aroma no ar, e percebe o que está a acontecer, mas não repara no grande trabalho que está por detrás de diversas prateleiras e armazéns cheios de chocolates e doces: o sabor a logística.

Para percebermos melhor como funciona a logística e transporte nesta época, a portuguesa Imperial e a espanhola Carreras deram a conhecer as suas experiências de mais de 85 anos nos sectores à Supply Chain Magazine. Com uma vasta experiência na produção e pós-produção de chocolates, respectivamente, as empresas explicaram como é feita a gestão e organização logísticas das suas operações.

Manuela Tavares de Sousa, CEO da Imperial, revela que o planeamento desta época começa entre 6 a 12 meses antes, altura em que planeiam os novos produtos que acrescem à normal produção de Novembro. Embora a Páscoa represente 35% do volume de negócio anual da maior produtora nacional de chocolates, a líder da Imperial admite que “em Portugal ainda se regista um consumo reduzido de chocolate”, e que no nosso país o consumo per capita encontra-se nos 1,5 quilogramas, ou 1,7 no caso de incluirmos o chocolate para culinária.

Criada em 1932, a Imperial está hoje presente em mais de 50 países e tem uma capacidade de produção de mais de 10 mil toneladas por ano. Manuela Tavares de Sousa conta que em regime normal, a produção encontra-se nas 20 toneladas diárias de chocolate, entre as 400 referências das seis marcas do grupo, mas que com a aproximação da Páscoa este volume aumenta para as 25 toneladas diárias, passando as unidades industriais a funcionar a três turnos, como forma de responder ao aumento da procura.

“As principais dificuldades sentidas com a proximidade da Páscoa são essencialmente centradas no incremento substancial das encomendas dos clientes, com reflexo na produção, logística e nos transportes, tendo em conta o desígnio de manter ciclos de encomenda curtos”, explica a CEO, mas admite que se encontram preparados para dar resposta às exigências do mercado.

Por parte dos operadores logísticos e transportadores, temos a experiência do Grupo Carreras, que começou por ser uma transportadora em Espanha por volta do ano de fundação da Imperial, em 1933, e que em 1989 iniciou o trabalho na área da logística. Os seus serviços abrangem toda a cadeia de abastecimento, através do seu transitário MundiEst, e iniciam os seus preparos cerca de 12 semanas antes, altura em que começa a haver uma maior movimentação destes produtos que acartam consigo imensos cuidados especiais.

Especialista no transporte e logística de bens de grande consumo em Portugal, a Carreras é responsável pela chegada ao mercado de grande parte das marcas de chocolate comercializadas no país, provenientes de países como a Espanha, Suíça, Alemanha, Itália, França e Polónia, de onde chegam por via rodoviária a temperatura controlada. “Posteriormente, a distribuição será efectuada tendo em conta a tipologia e dimensão do pedido e do ponto de entrega. Existem pontos de entrega de mais difícil acesso, como por exemplo no interior das localidades onde é necessário realizar as entregas com carros de pequena dimensão”, revela Carlos Rodrigues Manuel, Business Development Manager da Carreras em Portugal.

Em termos de cuidados a ter com estes produtos, Carlos Rodrigues Manuel explica que para além de haver um grande controlo na temperatura a que os produtos chegam aos seus clientes, de forma a manter a sua qualidade e características, “toda a operação logística da mercadoria alimentar está sujeita a processos e controlos rigorosos, tais como a rastreabilidade, higiene e segurança”.

O responsável revela que em termos de sazonalidades sente grandes impactos nos meses anteriores à Páscoa e ao Natal, e que estas épocas envolvem também uma preparação prévia acrescida em termos de pedidos especiais, nomeadamente em termos de co-packing e preparação de expositores. A Carreras tem um local próprio para as actividades de embalamento e na qual já têm uma grande experiência: “é uma actividade que dominamos há muitos anos, temos uma longa experiência de sucesso na gestão de grandes campanhas de co-packing, que são sempre um desafio devido à sua enorme variabilidade”.

(Poderá ler este artigo na íntegra brevemente na nossa revista).

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